São Paulo, 30 (AE)- A Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia), em parceria com a Interchange, está lançando hoje um novo canal de distribuição, o "Comunidade Food Service", através do Website transational www.food service.com.br. As duas entidades irão desembolsar até 2003 R$ 7 5 milhões nesse investimento. Para o diretor-presidente da Interchange, Roberto Zabeo, esse mercado movimenta hoje no Brasil US$ 18,5 bilhões. "Nossa expectativa é de que, em três anos, os negócios eletrônicos representem cerca de 10% de todas as transações da comunidade", afirma Zabeo. Pelas suas estimativas, até 2003 o segmento deverá gerar uma receita de US$ 30 bilhões. A intenção é que, dentro de três anos, sejam realizados eletronicamente negócios de US$ 1,5 bilhão.
Com a comunidade Food Service, um restaurante, por exemplo, poderá acessar o site e fazer pedidos via Internet para seus fornecedores, independentemente de onde estejam localizados. Essa empresa, no caso, enviará uma nota fiscal eletrônica que será quitada também eletronicamente. Segundo Zabeo, o produto solicitado, desde ingredientes até vinhos ou utensílios, será entregue no local por um operador logístico. Qualquer empresa do segmento poderá participar - hotéis, empresas de refeições coletivas, redes de fast food, clubes, entre outros. Indústrias de porte como a Melitta, Refinações de Milho Brasil, Caterplan, entre outras, já aderiram o novo serviço; os bancos ABN Amro, Itaú, Real e Unibanco também participam. Segundo Zabeo, a Comunidade Food Service tem como objetivo ser ponto de convergência para que as empresas realizem suas operações de compra e venda de itens do segmento alimentício. "Tabelas de preços, nome de cliente e prazos de pagamentos estarão disponíveis no site, reduzindo os custos das empresas", afirma Zabeo. O site levará gratuitamente a todos os integrantes do segmento novidades, iniciativas e contatos. Para isso, terão à disposição o maior banco de dados do segmento, obtido junto a associações e entidades representativas de todos os setores que compõem o Food Service, seja varejo, indústria ou serviços.
Mercado- O mercado de Food Service, segundo Edmundo Klotz, presidente da Abia, tem registrado crescimento acentuado no Brasil. Em 1998, explica, apresentou um acréscimo de 18% na
participação de Food Service no faturamento global da indústria brasileira de alimentos, em relação ao ano anterior. Para este ano, a projeção é de um crescimento superior a 15%. Hoje o setor representa 23,7% de todo faturamento da indústria, ou seja, US$ 15,3 bilhões. Segundo Klotz, trata-se de um potencial de crescimento muito acentuado. "Em países como os Estado Unidos, o segmento responde por dois terços do movimento da indústria alimentícia", destaca.
Estimativas do Departamento Econômico da Abia revelam que 30% das refeições dos centros urbanos são feitas fora do lar, e essa participação tem crescimento elevado. A indústria de alimentos representa 9,85% do PIB e em 1998 obteve uma receita de US$ 71,3 bilhões. Os setor exportou US$ 8,3 bilhões em alimentos processados, ficando as exportações em US$ 2,1 bilhões. O consumo interno atingiu US$ 64,7 bilhões, comercializado através de dois macrocanais de distribuição: o varejo alimentício, com US$ 49,2 bilhões, e o segmento de Food Service, com operações de US$ 15,5 bilhões, ou seja, 20% do consumo total. Entre as 500 maiores empresas do Brasil, 52 são fabricantes de alimentos, representado US$ 25,9 bilhões em vendas, cerca de 43% do faturamento total do setor de produtos alimentares. A receita da Abia, segundo Klotz, deverá crescer 3 5% neste ano, em reais.
Nestlé - O diretor-presidente da Nestlé, Ricardo Gonçalves, disse à Agência Estado que o "Comunidade Food Service" irá gerar maior volume de negócios para as indústrias.
Segundo ele, o pequeno e médio varejista, que antes se abastecia através de outros canais, passará a comprar direto da indústria, com redução de custo. "Os pedidos seriam consolidados em uma só entrega, reduzindo custos", afirmou. Gonsalves prefere no entanto não arriscar números. "Trata-se de um negócio ainda insipiente e que deverá se acelerar bastante", disse. No seu entender o serviço estará operando a todo vapor daqui a dois anos. A Nestlé está entre as indústrias que aderiram ao novo canal de distribuição.

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