Indústria inova embalagens para fisgar consumidor
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sexta-feira, 10 de setembro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 11 (AE) - Na guerra para conquistar a preferência do consumidor, as indústrias estão cada vez inovando mais não apenas nos produtos, mas principalmente nas embalagens. Nos cálculos de Lincoln Seragini, da agência de design e tecnologia de embalagens Seragini Design, de cada dez novas embalagens desenvolvidas hoje no mercado brasileiro, quatro têm inovações que vão além do desenho, como novos materiais ou sistema de abertura. Até meados da década, essa proporção era de três em cada dez e, nos anos 80, apenas um em cada dez projetos tinham alguma mudança além do desenho do rótulo.
"O acesso à tecnologia está esgotando a diferença do conteúdo", diz ele. "O que conquista o consumidor hoje é a marca e a diferenciação, principalmente na direção da praticidade", afirma. O divisor de águas, segundo Seragini, foi a abertura de mercado, que colocou lado a lado nas prateleiras produtos com diferentes padrões de qualidade, tanto em termos de beleza do rótulo como de praticidade no uso.
Nos últimos meses, o consumidor brasileiro passou a encontrar nas prateleiras dos supermercados latinhas que trazem a tampa junto para conservar melhor a parte do produto que sobrou, fita adesiva para fechar o pacote de bolacha, vidros que podem realmente ser usados como copos e achocolatados em versões mais modernas.
Oferecer o mesmo produto numa embalagem mais moderna e adequada aos desejos do consumidor pode até mesmo dobrar as vendas. Foi o que aconteceu com o óleo de soja Liza em embalagem PET, lançado em junho pela Cargill com investimento de US$ 6 milhões. A embalagem PET substituiu a de PVC e aumentou as vendas de 4 milhões de unidades ao mês para 8 milhões.
A embalagem plástica passou de 10% para 20% da produção total da empresa. "Existe uma demanda muito grande por óleos vegetais em embalagem transparente, porque o consumidor gosta de ver o produto que está comprando", diz o gerente geral de àleos e Gorduras da Cargill, Marcelo Martins.
Sem improviso - Ao reformular a linha de biscoitos, a Parmalat aproveitou para resolver o problema dos consumidores que não conseguiam comer todo o pacote de uma vez e tinham que buscar na lavanderia a solução para manter o produto crocante no dia seguinte. "Em todas as pesquisa as pessoas reclamavam que tinham que colocar prendedor de roupa para fechar o pacote ou guardar dentro de um pote plástico", conta a gerente de Marketing de Biscoitos da Parmalat, Mariana Passos.
A solução, apresentada pelo fornecedor da embalagem, foi incluir uma fita adesiva que pudesse ser usada para fechar a ponta do pacote e manter as propriedades do produto. A Parmalat conseguiu a exclusividade do Selo Fechar Fácil por um ano. Depois desse tempo, a empresa sabe que provavelmente o produto será copiado pelos outros fabricantes, mas espera que o período de exclusividade seja suficiente para fixar a imagem de inovadora para os consumidores. Isso aconteceu, segundo Mariana, quando a empresa foi a primeira a adotar, há três anos, a tampinha plástica na embalagem tetrapack do suco de laranja. "Todos os concorrentes lançaram um produto semelhante depois, mas os consumidores ainda lembram que fomos os pioneiros", conta ela.
Inovar na embalagem é necessário, na avaliação de Mariana, justamente porque os conteúdos têm pouca diferença hoje em dia. "A tecnologia está muito evoluída e todos os grandes fabricantes têm produto muito parecidos", afirma. "A estratégia da Parmalat para se diferenciar é inovar na embalagem e no sabor", diz. A empresa ainda não tem os resultados de venda do produto com o selo Fecha Fácil, introduzido em julho, mas espera conseguir um incremento de volume com a novidade.
A fonoaudióloga Loretta Fabianni Migri conta que sempre repara nas embalagens dos produtos que vai comprar. "Quando tem uma embalagem que parece mais prática sempre compro o produto para experimentar", conta ela, enquanto examina as novidades nas prateleiras do supermercado. Ela aprovou a nova latinha de molho de tomate, com tampa para facilitar a conservação do produto na geladeira. Da mesma forma que experimenta as que parecem mais práticas, ela evita as embalagens que considera perigosas. "É importante uma tampa que não corte a mão", diz.
Loretta concorda que "por dentro", os produtos são cada vez mais parecidos. Requeijão, ela leva de uma marca que coloca o produto em copos pintados, e coleciona os diferentes modelos. "O gosto é parecido, então compro mais pela embalagem." Ela também passou a comprar um leite longa vida por causa da tampinha no topo da caixa. "Só não levo a embalagem melhor se o preço for muito mais alto", diz.


