Indústria garante entrega de genéricos
Valmir Denardin
De Curitiba
O laboratório paulista EMS, que produz três dos principais genéricos em falta nas farmácias paranaenses, prometeu normalizar até amanhã a distribuição desses medicamentos. O desabastecimento dos antibióticos ampicilina e cefalexina e do cloridrato de ranitidina (usado no tratamento de úlcera), fabricados exclusivamente pelo laboratório, se agravou a partir da última semana nas principais cidades do Estado.
De acordo com nota da assessoria de imprensa da EMS Indústria Farmacêutica, a falta dos genéricos foi provocada por uma procura 150% acima da expectativa da empresa em todo o País. Para atender à demanda, até então significadamente reprimida, a empresa duplicou sua capacidade produtiva, continua a nota.
Primeiro laboratório a colocar genéricos no mercado brasileiro, em 6 de abril, a EMS já investiu US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,9 milhão) nesse segmento. Em dez dias, vendeu 658 mil caixas dos três genéricos que produz. A previsão da empresa é aplicar mais US$ 5 milhões em testes de bioequivalência e biodisponibilidade (que avaliam se o medicamento faz exatamente o mesmo efeito que o seu referencial de marca), nos próximos dois anos, para lançar 100 genéricos.
Elio José Ferreira Júnior, gerente regional de Vendas para as regiões Sul e Sudeste do laboratório Teuto Brasileiro, sediado em Anápolis (GO), disse à Folha que o abastecimento dos quatro genéricos de venda em farmácias produzidos pela empresa já foi normalizado no Paraná. Isso só ocorreu no começo. Se continua, é um problema provocado pelas farmácias.
Aparecido Camargo, diretor-presidente da Drogamed a maior rede de farmácias do Estado, com 75 lojas , afirmou que o setor não tem interesse de boicotar os genéricos. Por serem mais baratos, eles atendem a uma parcela da população que antes não comprava remédios. Queremos vender a esse público. Os genéricos chegam a custar menos da metade do preço dos medicamentos de marca.
Além de prometer o fim do desabastecimento dos produtos já no mercado, as indústrias garantem também que novos genéricos já liberados chegarão às prateleiras nos próximos dias. Eduardo Henrique Rodrigues, gerente de Genéricos do laboratório Eurofarma, de São Paulo, previu que o antibiótico ceftriaxona sódica injetável, liberado na última sexta-feira pelo Ministério da Saúde, poderá ser vendida ao consumidor em cerca de 20 dias.





