Indústria eletroeletrônica espera adaptação de três meses
São Paulo, 20 (AE) - A indústria de componentes e equipamentos eletroeletrônicos só vai conseguir fazer as contas de quem ganhou e quem perdeu com a desvalorização do real num prazo de três meses. Antes do segundo trimestre, será difícil para o setor calcular o ponto de equilíbrio entre aumento de custos com a importação de componentes e o ganho nas exportações. Por enquanto, essa indústria está praticamente paralisada, sem novos pedidos. "O faturamento está paralisado", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), Benjamin Funari. "As negociações, de maneira geral, estão atrapalhadas", comentou.
Para ele, o mais importante nesta fase de indefinições do mercado é a aprovação pelo Congresso das medidas que assegurem o ajuste fiscal. "O problema agora é uma âncora política", declarou Funari. Só depois de aprovadas essas medidas, é que a Abinee considera que o cenário macroeconômico ficará mais ou menos claro. "Até ficar claro mesmo, vai demorar", disse o presidente da Abinee.
Mas o setor não está de todo pessimista e aposta até numa reversão da previsão inicial de corte de 6% na mão-de-obra em 99. "Pode haver alterações para melhor", afirmou Funari, considerando que a indústria nacional pode ficar mais competitiva em relação às importações e que possa ocorrer um incremento nas exportações em decorrência da desvalorização cambial.
Na área de infra-estrutura, a avaliação inicial é que ninguém está mudando seus planos de investimento. Os segmentos de energia, telecomunicações e transportes são criadores de emprego tanto na indústria quanto no setor de serviços, segundo análise do diretor da Abinee e presidente do Conselho de Administração da Ericsson, Carlos Paiva Lopes. A Abinee já adotou posição absolutamente contrária à indexação de preços, que poderia levar a uma retomada da inflação. "Para os empresários, a volta da inflação seria o pior dos mundos", afirmou Funari.





