Indústria é carente de pessoal qualificado
Londrina é conhecida como uma cidade produtora de conhecimento, pelo grande número de instituições de ensino, tanto em nível técnico quanto em nível superior, instaladas na cidade. Entretanto, em áreas ligadas à química, mecânica ou de tecnologia de ponta, por exemplo, ainda existe dificuldades de encontrar profissionais qualificados.
Um exemplo que ilustra a carência sentida pelas empresas em algumas áreas é o que acontece na Milenia Agrociência, que realizou, na última quarta-feira, a formatura de 27 alunos do curso de operador de produção industrial, criado pela própria empresa para suprir a demanda. No mesmo dia também foi celebrada a formatura da turma de supletivo, também mantida pela Milenia. O custo para manutenção do curso, segundo o gerente de Recursos Humanos da Milênia, Antonio Ricieri Biazão, é compensado pelo fato de se ter um profissional mais interado com a linha de produção.
Para Biazão, o grande problema, não só da cidade, mas da região, é que as instituições de ensino não acompanham o raciocínio das empresas. A prática é necessária e tem pouco disso nas faculdades. Especificamente na área química, ramo de atuação da Milenia, os cursos priorizam a formação teórica do aluno. Ele afirma ter muita dificuldade de recrutar estagiários em Química, por causa dos horários da empresa, que não batem com os horários do curso.
Para ilustrar, ele cita um caso em que a empresa necessitava de um profissional para o cargo de instrumentador para instrumentos de precisão. A Milenia não encontrou ninguém que preenchesse todos os requisitos e a solução foi contratar um profissional de Santos (SP). A remuneração, neste caso, é bastante atraente para o contratado.
Já na Elevadores Atlas Schindler, a maior dificuldade é encontrar profissionais da área de engenharia mecânica. De acordo com a analista de Recursos Humanos da empresa, Regina Lúcia Monteiro Matos, a dificuldade é que falta experiência profissional com a linha de produção da empresa.
A saída é importar profissionais de Curitiba ou São Paulo. Mas buscar um profissional de fora acaba tendo um custo maior e a empresa acaba tendo que arcar com isso, afirma.
Nas agências de recursos humanos, a situação não é diferente. O diretor da Labor Trabalhos Temporários, Silvio Lopes, avalia que muitos profissionais acabam se acomodando no emprego, achando que estarão empregadas para sempre e não se aprimoram.
A maior falha continua sendo em línguas estrangeiras. A agência procura, há mais de dois meses, um gerente de Recursos Humanos com fluência em inglês e espanhol e não encontra. Temos outra vaga para representante de um laboratório químico que também está aberta há dois meses e não conseguimos o perfil profissional desejado. Em alguns casos, a solução é buscar profissionais em outros centros, como Curitiba, ou pela Internet.
A carência de conhecimentos específicos em informática é outro entrave que dificulta a contratação. Segundo Lopes, é difícil encontrar profissional com conhecimentos em bancos de dados Oracle na cidade, um dos mais usados pelas grandes empresas.





