Indústria dos EUA quer anular acordos com o Brasil Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 18 (AE) - Em mais um sinal de que a indústria siderúrgica dos Estados Unidos não pretende aliviar a pressão para erigir barreiras contra importações durante a temporada eleitoral que se inicia, doze companhias entraram na terça-feira com uma ação contra o governo americano no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA pedindo a anulação dos acordos de limitação de vendas de produtos de aço a quente que a administração Clinton concluiu no mês passado com o Brasil e a Rússia.
Os acordos, que foram aceitos a contragosto e como o menor dos males pelos exportadores, levaram à suspensão de pesadas tarifas antidumping e compensatórias que Washington havia imposto contra chapas e boninas de aço dos dois países, ao final de uma ação protecionista iniciada pelas mesmas empresas que agora buscam seu cancelamento pela via judicial - entre elas a Bethlehem Steel e o U.S. Steel Group X.
A decisão demorará pelo menos um ano e as chances de a indústria americana ganhar a causa são consideradas remotas. "A indústria teria que provar que o governo federal agiu contra o interesse nacional ao fazer tais acordos e é muito pouco provável que conseguirá convencer um juiz federal", disse ao Estado Karry Kopp, da firma de consultoria L.A.Motley & Co.
Mike Stein, um advogado da indústria, disse que os acordos que o governo Clinton negociou com os produtores e com os governos do Brasil e da Rússia não darão proteção suficiente aos produtores locais "contra práticas ilegais de preço". Ele admitiu, no entanto, que as empresas enfrentarão uma "uma difícil batalha" para provar esse argumento na Corte de Comércio Internacional dos EUA, que está sediada em Nova York.
Além de tentar anular os acordos de limitação de importação com o Brasil e a Rússia, a indústria siderúrgica dos EUA iniciou recentemente uma nova bateria de ações protecionistas contra produtos de aço a frio de vários países junto à Comissão de Comércio Internacional, uma agência do governo americano.
Ironicamente, a indústria americana iniciou a ação judicial contra o governo federal no mesmo dia em que recebeu um enorme subsídio de presente da administração Clinton. Ignorando advertências e objeções públicas feitas pela União Européia, na terça-feira Clinton assinou uma lei que estabelece um crédito de emergência de US$ 1,5 bilhão para ajudar as empresas americanas dos setores siderúrgico e de petróleo e gás que foram afetadas pela competição de importações baratas, depois da crise financeira asiática, e pela queda dos preços de commodities.
Dois terços do crédito destinam-se à indústria siderúrgica, cujas empresas podem habilitar-se a empréstimos de US$ 25 a US$ 250 milhões O crédito contém um subsídio oficial estimado em US$ 270 milhões. O principal patrocinador do socorro federal aos setores siderúrgico e petroleiro foi o senador Robert Byrd, democrata da Virgínia Ocidental, um dos líderes do poderoso "lobby do aço" no Congresso americano.
Os opositores da medida disseram que ela força os contribuintes americanos a apoiar involuntariamente empresas e bancos que tomaram más decisões de negócios, premiando a incompetência. Em recente carta à Representante de Comércio da Casa Branca, Charlene Barshefsky, o comissário de comércio da União Européia, Leon Brittan, advertiu que o programa de assistência financeira à indústria, agora ativado por Clinton, constitui subsídio e uma transgressão às regras da Organização Mundial de Comércio. Segundo Brittan, ele é também "um sinal altamente indesejável dos EUA a seus parceiros comerciais".





