Indústria diz que alvo da propaganda é o fumante adulto, mas Congresso estuda novas restrições
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Arnaldo Galvão 
São Paulo, 23 (AE) - As indústrias afirmam que as campanhas publicitárias de cigarros são dirigidas aos fumantes adultos e não aos jovens. Mesmo assim, o Congresso discute dezenas de projetos para ampliar as atuais restrições da lei e até proibir totalmente a publicidade desses produtos. O Código de Auto-Regulamentação Publicitária também reconhece que o fumo deve estar sujeito a cuidados especiais.
Se no Brasil as indústrias de cigarros ainda têm liberdade vigiada, na Europa e nos Estados Unidos esses anunciantes enfrentam restrições muito mais graves. Em maio, a União Européia aprovou um projeto que vai eliminar definitivamente a publicidade e o patrocínio de cigarros em até oito anos. A propaganda de TV já havia sido banida em 1989. A Inglaterra vai proibir, a partir de dezembro, a publicidade de cigarros em revistas, jornais e outdoors.
A Philip Morris é a maior fabricante mundial de cigarros e tem 15% de participação no mercado brasileiro, estimado em 5 bilhões de maços (de 20 unidades) por ano. Sua marca mais vendida é Marlboro (R$ 1,60 o maço) e estima-se que, no País, seus investimentos em publicidade chegaram a US$ 9 milhões no ano passado. A assessoria de Imprensa da Philip Morris informa que a empresa tem uma política de comercialização responsável para os 100 mil pontos-de-venda. A orientação é evitar, a todo custo, vender cigarros a menores. As embalagens do cigarro L&M vão trazer a advertência: "Somente para adultos".
A mesma linha é seguida pela concorrente Souza Cruz, a líder do mercado de cigarros no Brasil. Carlos Silvério, diretor de criação da DPZ, explica que o alvo das campanhas dos cigarros Hollywood e Carlton é o adulto. O tema da campanha da marca Hollywood é "No limits", associada à idéia de aventura. Limites - A Lei n.º 9.294, de 16 de julho de 1996, proíbe sugerir consumo exagerado e atribuir propriedades calmantes ou estimulantes aos cigarros. Associar o cigarro a idéias de maior sensualidade e bem-estar, esportes olímpicos e festas cívicas ou religiosas também não é permitido. Os anunciantes não podem usar crianças ou adolescentes ou dirigir-se a esse público. As propagandas e embalagens devem trazer advertências sobre os males causados pelo fumo.


