Londrina - Telma Salles, presidente executiva da PróGenéricos, argumenta que os principais ganhos nos 15 primeiros anos desses produtos no Brasil foram a ampliação do acesso da população a medicamentos, a regulação de preços proporcionada pela concorrência que representaram, a grande cobertura de patologias pelos genéricos disponíveis no mercado, a movimentação representada pelo parque industrial gerado pelo setor e uma economia de gastos para a população que chegaria a quase R$ 50 bilhões.
A respeito da maior participação dos genéricos em outros países, Telma argumenta que nesses mercados esse tipo de medicamentos foi implantado há mais tempo e a tendência é o produto chegar a índices parecidos no Brasil. Ela diz ainda que os 28% dos genéricos no mercado brasileiro dizem respeito apenas ao varejo – se forem consideradas as compras públicas (85% dos medicamentos dispensados no programa Farmácia Popular são genéricos, segundo a PróGenéricos), o índice passa dos 30%.
"São só 15 anos, estamos muito bem. Mas é claro que mudanças são necessárias. Hoje a tributação de medicamentos no Brasil é de 37%. Em muitos países, chega a zero. Temos trabalhado junto ao Congresso Nacional para pleitear a desoneração dos medicamentos. No Brasil, em muitos casos não se tributa o supérfluo e tributa-se o essencial. Ninguém escolhe se vai comprar medicamento ou não. As pessoas compram porque precisam", diz a presidente executiva.
Sobre a pesquisa da Proteste que mostrou que quase metade dos médicos brasileiros desconfia dos genéricos, Telma diz que não vê "esse resultado como algo ruim" e que a resistência vem diminuindo. "O médico tem o poder sobre a prescrição, ele prescreve o que achar mais apropriado. Cabe à população perguntar e ao governo divulgar a alternativa do genérico. Agora, não existe pesquisa que mostre quantos médicos se recusam a prescrever genéricos porque não os consideram eficazes", argumenta.(F.G.)

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