Brasília, 20 (AE) - O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sidan), Nelson Antunes, afirmou hoje que não há possibilidade de reduzir o preço das vacinas contra febre aftosa. "Não tem margem para redução." Além disso, segundo Antunes, a indústria nada poderia fazer porque já repassou aos revendedores praticamente todas as 90 milhões de doses produzidas, a um preço variável entre R$ 0 51 a R$ 0,60 a unidade. "O consumidor deverá pagar entre 0,70 a 0,75", estima.
Para ele, se o ministro da Justiça, Renan Calheiros, insistir em baixar o preço, o que pode acontecer é os laboratórios pararem de fabricar as vacinas. De olho no aumento da exportação de carne, o presidente do fórum permanente de pecuária de corte da Confederação Nacional de Agricultura, Antenor Nogueira, fez hoje apelo aos produtores para vacinarem os rebanhoos até o fim do mês, independentemente do resultado da discussão de preços das vacinas. "Estou preocupadíssimo, porque todos sabem que esse tumulto não será resolvido da noite para o dia e o prazo de vacinação termina no fim do mês", disse.
A interrupção da vacinação vai prejudicar os planos do fórum de pedir o reconhecimento de mais uma área livre da febre aftosa (São Paulo, Tocantins, Minas Gerais, Goiás e Paraná, que juntos produzem 80 milhões de cabeças) para a Organização Internacional de Epizootias, com sede na França. Essa entidade equivale à Organização Mundial de Saúde, cujo aval é um passaporte para o País exportar carne fresca. Apenas Santa Catarina e Rio Grande do Sul são reconhecidos pela OIE.
Nogueira insiste que esse apoio vai aumentar a exportação de carne. "Mas para isso, o produtor tem de vacinar agora." O presidente do Sidan - um dos cinco fabricantes da vacina no País - diz que não teme o processo administrativo, instaurado pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça."Vamos mostrar as planilhas, a indústria não pode ter prejuízo" diz. Ele defende-se da acusação de cobrança abusiva de preços. Segundo Antunes, na verdade, os produtores estão comparando os preços de agora com os de novembro do ano passado. "Naquele mês, houve liquidação, porque tínhamos um estoque de 100 milhões de doses que estavam para vencer e para não jogar fora vendemos por R$ 0,28 a R$ 0,30", explica, garantindo que o preço histório é de R$ 0,40.
Antunes contou também que os secretários de fazenda dos Estados estão orientando o produtor a não comprar, porque os preços vão cair. Ele tem informação de que está havendo queda na revenda ao consumidor em Paraná, Goiás e Minas Gerais. "O problema é que o revendedor que comprou a R$ 0,30, em novembro passado, não aceita os R$ 0,60 de agora, mas eles não podem ter a mesma margem de lucro que antes", cobrou. E advertiu: governo não pode obrigar a reduzir preços porque senão pára a produção. "Não é possível também o criador não poder gastar R$ 1,40 com as duas doses de vacina em maio e novembro, para vacinar um boi que vale 400 a 500 pelo ano inteiro.
O deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), integrante da bancada ruralista no Congresso, defendeu os fabricantes de vacina da suspeita de atuarem cartelizados. Segundo ele, os preços são semelhantes porque vacinas têm o mesmo princípio ativo e formulação idêntica. "O único custo diferente é o administrativo." Para o deputado, se houver muita pressão os laboratórios podem deixar de produzir e o prejudicado será o País que tem a meta de erradicar a febre aftosa até 2003.
A diretora do Departamento de Proteção e Defesa Econômica da SDE, Eliana Thompson Flores, recebeu de dois laboratórios a explicação verbal de que houve aumento de preço porque a matéria-prima importada encareceu. A diretora pediu uma série histórica mais longa dos preços.

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