Brasília, 04 (AE) - O setor produtivo considerou "modesto" o corte na taxa básica de juros (Selic) divulgado na última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, na semana passada. Apesar de considerar o corte de 0,5 ponto percentual insuficiente, a avaliação dos economistas da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) é positiva quanto à mudança na política monetária.
A taxa Selic, sobre a qual se formam as demais taxas de juros da economia, foi reduzida de 19% para 18,5%. De acordo com a edição de março do Informe Conjuntural, publicação mensal da CNI que este mês analisa a nova fase da política monetária, a queda na taxa de juros "sinaliza que a economia brasileira já reúne as condições necessárias para a retomada de um ciclo virtuoso de crescimento com inflação em queda." "A posição conservadora do governo com relação à política de juros estava vinculada à questão da alta no preço do barril de petróleo, mas agora as perspectivas melhoraram", disse hoje o presidente da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira.
Segundo ele, outras medida tomadas em março que refletem maior confiança na economia é a queda de 12% para 11% na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o segundo trimestre e a mudança na alíquota de recolhimento compulsório sobre os depósitos a vista, que caiu de 65% para 55%. De acordo como informe da CNI, a última redução havia sido feita em outubro do ano passado e a atual alíquota é a mais baixa do Real.
"A decisão de reduzir os juros, que vinha sendo adiada pelo Banco Central desde outubro de 1999, reafirma a percepção, já generalizada entre os agentes econômicos, da expressiva melhora das condições fundamentais da economia", afirmou Moreira Ferreira.
Os técnicos da CNI ressaltaram, porém, que durante o primeiro trimestre o quadro econômico foi diverso, as taxas de inflação acumuladas em 12 meses recuaram e o real valorizou-se a tal ponto que levou o Banco Central a intervir comprando dólares.
Para os economistas da CNI, a queda na taxa nominal de juros, a mais baixa do Plano Real, demonstra uma mudança qualitativa importante nas condições macroeconômicas do País. Segundo eles, há espaço para uma queda maior das taxas de juros "por causa da ausência de pressões de demanda, da atenuação dos choques de oferta, da perspectiva de desvalorização moderada da taxa de câmbio e do baixo coeficiente de repasse da desvalorização aos preços ao consumidor".

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