Rio, 28 (AE) - A produção da indústria de transformação brasileira deve encerrar o ano com queda de 1,5%. Apesar de negativo, o resultado indica uma recuperação do setor, que deve retornar, no último trimestre do ano, para os mesmos níveis verificados antes da crise asiática, em 1997. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, divulgada hoje, mostra que o índice de confiança empresarial na economia brasileira também está melhorando e teve em outubro seu melhor resultado desde o mesmo mês de 1994: 59,8 pontos. Em outubro do ano passado, o indicador estava em 33,1.
Estas foram as principais conclusões da 133ª Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV. "Os dados revelam que a retomada é consistente e deve se manter por um período mais longo", explicou o chefe do Centro de Estatística e Análise da fundação, Salomão Quadros. Segundo o estudo, 41% das 1.304 indústrias pesquisadas esperam um incremento na produção no último trimestre deste ano, enquanto apenas 18% prevêem queda.
A sondagem mostrou ainda que a demanda do mercado por produtos industriais está se fortalecendo. Apenas 14% dos empresários a consideraram fraca. Na última pesquisa, este percentual chegava a 21%. O interesse das indústrias pelo comércio exterior também cresceu. Mais da metade do setor (52%) estimou um incremento nas exportações superior a 10% no próximo ano. O destaque fica por conta dos segmento de bens de consumo, com 80% do ramo apostando em expansão das vendas externas acima desse patamar para o ano 2000.
A recuperação da atividade industrial já se faz sentir no mercado de trabalho. Pela primeira vez desde 1994, início do Plano Real, a disposição dos empresários para contratar mão-de-obra está igual às intenções de demissões no setor. A perspectiva de expansão levou o setor também a reavaliar seus estoques. O percentual de empresários que consideraram seus estoques insuficientes para atender a demanda nos próximos meses cresceu de 2% para 4%. O giro mais rápido dos produtos nas prateleiras é um indício forte de que a atividade econômica está mais acelerada.
Mas o aquecimento neste final de ano será acompanhado de uma alta dos preços. O estudo mostrou que 38% dos pesquisados vão repassar os aumentos de custo no último trimestre do ano para os preços, sendo que desse total, 72% pretendem reajustar a taxas mais altas do que as verificadas nos três meses anteriores. Os maiores aumentos serão vistos no setor de bens de consumo, com 52% dos empresários admitindo reajustes. Quase a totalidade (89%) desse percentual será feita a taxas mais elevadas. "O cenário hoje é mais propício, com os juros mais baixos e a atividade mais aquecida do que no início do ano, quando houve a desvalorização cambial", ponderou.

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