São Paulo, 16 (AE) - Investidores nacionais e estrangeiros estão começando a enxergar no setor de softwares brasileiro uma ampla oportunidade de aumentar ganhos. Uma medida do crescente interesse dos investidores pelo segmento de programas é o International Developers Opportunity/Investment in Software Companies, organizado pelo Instituto de Tecnologia de Software. Neste ano, a segunda versão do evento já tem confirmados 15 investidores interessados em conhecer empresas brasileiras de software, com potencial de investimento no valor de US$ 750 milhões.
Por meio de operações conhecidas como private equity e venture capital, eles adquirem participação nas empresas de software. A injeção de capital que resulta da parceria alavanca o crescimento do fabricante de software, incrementando o valor da própria empresa. O investidor, então, vende sua parte no negócio por um valor bastante superior ao pago pela participação
com retorno garantido ao investimento. Só na Grande São Paulo são 750 fabricantes de software de pequeno, médio e grande portes.
O setor tem se mostrado bastante atraente para investimentos porque, no País, o número de fabricantes de software cresce em média 10% ao ano, segundo dados do ITS, entidade privada. As companhias precisam de capital para expandir seus negócios e explorar o crescente mercado brasileiro no setor. E, como existe demanda latente por recursos para investimento, além da linha de crédito aberta pelo BNDES, bancos privados e investidores institucionais têm ganhado importância no fomento ao setor, diz Descartes de Souza Teixeira, diretor do ITS.
Entre os principais investidores que já confirmaram presença no International Developers Opportunity/Investment in Software Companies, segundo o ITS, estão o Deutsche Bank, West Sphere, TMG, Icone Capital Partners, Intel, Sagres Capital Partners e BankBoston. No ano passado, o primeiro do evento, participaram cinco investidores, dos quais três fecharam negócios no País. Trata-se de um evento que reúne investidores e fabricantes, os primeiros interessados em aumentar o retorno dos investimentos, e os segundos, em ampliar seus negócios.
A busca por recursos na área de software também está levando as empresas a planejar melhor a estratégia de negócios para atrair investidores. Essa tendência de planejamento foi responsável pela criação da Clínica de Plano de Negócios, que auxilia empresas com dificuldades na elaboração do plano de negócios.
O empresário Nelson Saba, sócio-fundador da Christian Software, acredita que o plano de negócios é fundamental para atrair capital. "O investidor vai avaliar não só o plano, mas também o nível de entendimento do proponente sobre o negócio", diz. Saba conseguiu recursos por meio do Núcleo Softex, do ITS, para iniciar sua empresa. Mas foi com investimento proveniente de venture capital, investimento coordenado pela Sagres Capital, que a companhia cresceu. Em menos de dois anos, a Christian contratou dez funcionários e já está abrindo escritório nos Estados Unidos para comercialização da Bíblia Audiovisual Interativa, núcleo da empresa.

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