Indústria de São Paulo registra quinto mês consecutivo de crescimento
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 13 (AE) - A indústria paulista obteve em fevereiro seu quinto crescimento consecutivo. Com aumento de produção de 21,1% no mês, em relação a fevereiro do ano passado, o Estado já ocupa o segundo lugar em aceleração do ritmo de atividade, dentre os 11 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A primeira colocação ficou com o Ceará, com 27,9%. O acumulado de 12 meses do parque industrial paulista ainda é negativo, mas agora é de apenas -0,9%, enquanto em janeiro a medição apontava -3,1%. No indicador acumulado para o primeiro bimestre deste ano, o acréscimo de 14,5% supera o observado no total do País (10,7%).
A gerente do Departamento de Indústria do IBGE, Miriam Ferreira, disse que não há como prever se no fim do primeiro trimestre o acumulado de 12 meses já estará positivo. Mas explicou que o índice de março poderá não repetir o desempenho extraordinário. Isto porque a taxa de fevereiro está inflada devido a dois fatores: a maior quantidade de dias úteis (o carnaval foi em março e este é um ano bissexto) e o efeito estatístico do desempenho atípico de fevereiro de 1999, muito impactado pela desvalorização cambial.
Mas apesar do peso sazonal, a equipe técnica do IBGE considera evidentes os sinais de recuperação do parque de São Paulo. Uma das principais contribuições para a retomada está sendo dada pelo setor automotivo, que teve seu crescimento propiciado pela redução das taxas de juros. "O setor automobilístico tem um forte encadeamento interindustrial e sua recuperação é um bom sinal para a indústria como um todo", explica Miriam. Ela lista outros indicadores que estariam permitindo o reaquecimento, como a susbstituição de importações e o aumento das exportações. "São todos indícios de que a economia está se recuperando."
Até janeiro, o crescimento da indústria de São Paulo era o terceiro maior do País. À frente do maior parque industrial nacional estavam, naquele mês, os Estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Embora tenha o maior peso sobre o desempenho global brasileiro, São Paulo perdeu o posto de líder de crescimento industrial, que agora começa a recuperar. O perfil de sua indústria, formada essencialmente por setores de bens de consumo duráveis e bens de capital, faz do Estado o mais importante centro industrial, mas também o mais suscetível a mudanças como as que ocorreram no ano passado, como desvalorização cambial e alta na taxa de juros.
Em fevereiro, de acordo com o levantamento do IBGE, a produção industrial manteve o ritmo de crescimento no País em comparação com o mesmo mês do ano passado. A principal causa desse resultado foi o maior número de dias trabalhados neste ano. O melhor desempenho foi da indústria do Ceará (27,9%) e de São Paulo (21,1%). Também apresentaram crescimento as indústrias de Minas Gerais (19,4%), Rio Grande do Sul (19,1%), região Sul (14,7%), Espírito Santo (13,9%), Paraná (9,2%), Santa Catarina (8,3%), Nordeste (7,3%), Rio de Janeiro (7,0%) e Pernambuco (6 4%). A indústria da Bahia (-2,5%) é a única a apresentar queda na produção, em decorrência, sobretudo, do recuo no setor químico (-5,1%).


