Indústria de queijo pede redução do ICMS de 18% para 7%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 08 (AE) - A indústria de queijo está pleiteando junto à Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo uma redução do ICMS de 18% para 7%. Se o governo ceder, a produção, projetada em 500 mil toneladas/ano, poderá ter um acréscimo de pelo menos 20% no primeiro ano e as vendas tendem a aumentar 15%. A análise é do presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de São Paulo, Carlos Humberto de Carvalho.
Os números mostram que o Estado de São Paulo é o maior importador de queijo do País. "Cerca de 95% do produto consumido vem de outros Estados, como por exemplo, Minas Gerais", afirma. Com a redução do ICMS, prevê, os preços cairiam estimulando as vendas. Além disso, acrescenta, o Estado atrairia mais indústrias, aumentando a arrecadação.
O presidente do sindicato lembra que depois que o governo concedeu, há três anos, diminuição do ICMS ao leite longa vida na mesma proporção reivindicada pelo setor queijeiro, o produto, que detinha uma participação de 5% nas vendas, passou aos atuais 60%.
O primeiro encontro do secretário da Fazenda, João Carlos de Souza Meirelles, com representantes do setor ocorreu há cerca de um mês. "Ainda não temos agendada a próxima reunião", afirma Carvalho.
Preços - O encarecimento da matéria-prima, de até 25%, provocado pela variação cambial e seca atípica, somado à pressão dos preços dos queijos importados do Mercosul, derrubaram as vendas dos nacionais em torno de 10% entre os meses de janeiro e outubro sobre mesmo período do ano passado.
Os últimos dados de importação computados pelo sindicato revelam que nos primeiros oito meses do ano o Brasil importou menos queijo que no mesmo período de 1998. Foram 13.292.746 quilos de queijo e requeijão ante 16.439.168 quilos adquiridos no mercado externo no ano passado. Segundo Carvalho, dos 21 bilhões de litros/ano produzidos no Brasil, cerca de 40% são destinados aos fluídos e pasteurizados, 30% à produção de queijo e o restante é absorvido pelo segmento de iogurtes e sobremesas", afirma.
A receita do setor deverá empatar com os R$ 10 bilhões obtidos no ano passado. No primeiro semestre, afirma, os negócios estavam ligeiramente superiores aos registrados nos primeiros seis meses do ano passado. No segundo semestre, no entanto, o setor amarga queda nas vendas. "Um período compensará o outro fechando o ano empatado", diz.


