Belo Horizonte - A Secretaria do Meio Ambiente de Minas Gerais determinou ontem a interdição da indústria Cataguases Papel, na zona rural da cidade de Cataguases (311 km de Belo Horizonte), por causa do vazamento, no último sábado, de uma represa contendo rejeitos sólidos, com volume superior a 20 milhões de litros. Houve mortandade de peixes e há riscos para a saúde da população ribeirinha.
Apesar de a empresa e a Secretaria do Meio Ambiente de Cataguases terem minimizado o fato, o secretário estadual do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, disse que o acidente teve ''danos ambientais expressivos''. ''Os riscos iminentes para a população estão no contato com a água contaminada e no consumo de peixes contaminados'', afirmou Carvalho.
A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) informou, no entanto, que a população daquela região não será prejudicada com o abastecimento de água, já que a captação que ela faz ocorre em um ponto do rio Pomba que não foi contaminado pelos resíduos.
Pela ocorrência da PM, o vazamento atingiu uma extensão de dez quilômetros. A secretária municipal do Meio Ambiente, Maristela Vidigal, havia dito anteontem que 16 fazendas tiveram suas áreas de pastagem alagadas. Por conta do acidente, técnicos de MG e do RJ estavam reunidos na divisa dos dois Estados na noite de domingo para tratar do problema. A interdição da indústria, segundo o secretário, vai durar ''até que haja segurança ambiental com relação ao funcionamento'' da empresa.
A empresa não se manifestou, apesar de procurada até o início da noite. A informação era que os responsáveis estavam em reunião e depois falariam, mas isso não aconteceu. Domingo, o diretor da indústria, João Gregório do Bem, procurado pela Agência Folha, minimizou o vazamento, afirmando não haver riscos para a população. Ele disse que o volume de produtos químicos contidos na mistura era de ''2% ou menor'', portanto, insuficiente para causar danos à saúde das pessoas.

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