Buenos Aires, 08 (AE) - Mais um setor industrial argentino está reclamando da concorrência brasileira: desta vez, são as indústrias de máquinas agrícolas, que sustentam que as colheitadeiras provenientes do Brasil estão entrando no país com um preço em média 30% abaixo do normal. A diferença é considerada como insuperável para a abatida indústria nativa. O alerta foi feito pela CAFMA, a associação que reúne as indústrias do setor, que sustenta que a lista de preços das colheitadeiras de oito sulcos made in Brazil caíram de US$ 117.640 no ano passado, para US$ 76.500 neste ano. O preço da máquina argentina é de US$ 100 mil.
A CAFMA também sustenta que existe grande diferença no preços dos tratores brasileiros, que no ano passado entravam na Argentina por US$ 70 mil, e que agora são importados por US$ 44 mil, enquanto que o preço do veículo fabricado na Argentina é de US$ 48 mil.
A chegada dos produtos brasileiros encontra as indústrias argentinas em grave crise: ao longo de 1999, a produção caiu entre 20% e 30%. Além disso, as fábricas estão trabalhando somente com pouco mais de um terço de sua capacidade instalada.
Os empresários do setor pedem ao governo que seja aplicado um plano de renovação da frota de máquinas agrícolas, similar ao plano utilizado pela indústria automotiva, e que suavizou o baque da queda nas vendas.
O plano existe, mas somente proporciona 10% do custo de uma nova máquina, o que é considerado insuficiente. Para complicar o panorama, os créditos para a compra de novas máquinas possuem taxas de juros ao redor de 12%.
O sombrio panorama argentino também está causando o êxodo industrial ao Brasil, onde o mercado é mais amplo, e a mão de obra é mais barata.
Na província de Santa Fé, existem 42 indústrias de máquinas agrícolas, das quais 15 já começaram a planejar seu traslado para o Brasil. Em Santa Fe concentra-se 55% da produção de máquinas agrícolas argentinas. No governo provincial, consideram que se a tendência continuar, em dois anos todas as empresas do setor terão partido para o Brasil. Desta forma, 16 mil pessoas perderão seus empregos.