Indústria de eletroeletrônicos tem faturamento 5,5% menor
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 15 (AE) - A crise econômica agravada pela mudança na política cambial atingiu fortemente a indústria eletroeletrônica. Dados divulgados hoje pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) mostram queda de 5,5% no faturamento das empresas no primeiro trimestre, comparado ao do mesmo período do ano passado.
A desvalorização do real também não contribuiu para melhorar o desempenho no comércio exterior. As importações caíram 9% nos dois primeiros meses do ano, em relação ao mesmo bimestre de 1998. Não ajudou, tampouco, a acelerar as exportações, como vinha sendo esperado.
O valor das vendas ao exterior caiu 5% se comparado ao de igual período do ano passado. Faltaram financiamentos à produção e não houve tempo para que as empresas recuperassem antigos clientes no exterior e, assim, aproveitassem o ganho de competitividade proporcionado pela mudança no regime cambial.
Apesar das dificuldades iniciais, o presidente da Abinee
Benjamin Funari, acredita numa expressiva recuperação das exportações. Para ele, as vendas externas deverão crescer 6% neste ano.
Até agora, o melhor resultado foi alcançado pela indústria de aparelhos celulares, cujas vendas aos demais países da América Latina cresceram 51%. Em valores, o faturamento com as vendas externas da indústria de telecomunicações não foi expessivo: somou US$ 22,9 milhões, para um total de US$ 362 milhões obtidos pelo total das exportações do setor.
Houve uma significativa mudança na composição das importações de eletroeletrônicos. As compras no exterior somaram US$ 1,3 bilhão até fevereiro, dos quais, US$ 624 milhões gastos com componentes, o correspondente a 50% do total.
Em 1998, as importações de componentes representavam 20% do total das compras externas. Isso, segundo Funari, significa que a indústria dessa área não está preparada para participar do processo de substituição de importações, apesar de enfrentar capacidade ociosa de 50%. O faturamento da indústria nacional de componentes caiu 6% no período.
No mercado interno, o melhor desempenho foi obtido pelas indústrias de material elétrico para instalações, que apresentaram crescimento de 39% até março. O bom resultado não entusiasma os empresários, porque correspondeu a encomendas feitas durante o ano passado.
As carteiras de pedidos das empresas neste ano não indicam o mesmo volume de vendas no futuro. Também as indústrias de equipamentos para automação industrial tiveram resultado positivo (crescimento de 16%). O mesmo ocorreu com o setor de equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia, cujo faturamento foi 15% maior até março.
A mau resultado nas vendas levou as indústrias filiadas à Abinee a cortar custos e a reduzir os seus quadros de mão-de-obra. O nível de emprego caiu 3% nesse setor, que terminou o trimestre com 138,5 mil funcionários, 4,3 mil menos que dezembro.


