Indústria de dietéticos descarta crescimento em 99
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 19 (AE) - A indústria de alimentos dietéticos
que faturou US$ 1,2 bilhão e fez 200 novos lançamentos em 1998, está refazendo as contas para este ano. A previsão de crescer mais 30% no faturamento já está descartada. "Se a receita aumentar 12% em 1999, será considerado um resultado satisfatório", afirma o Ary Rosa Buccione, vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (Abiad).
O motivo para esta queda de expectativa é o custo da matéria-prima importada, que resultou em aumentos significativos de preços. Parte da indústria, que mantinha estoques de matéria-prima, ainda opera com tabelas antigas. Quem não contava com isso, já está repassando parte dos custos e reduzindo a margem de lucro para tentar segurar vendas, conta Buccione.
Segundo ele, um saquinho de adoçante embute custos de 50% no preço final do produto. A alta acentuada de preços da matéria-prima obrigou o setor a emagrecer também a lista de lançamentos previstos para o ano. "Dos 180 produtos programados para entrar no mercado, enxugamos para 80", afirma.
Líder - Absorver parte dos custos e elevar preços até 15% foi a estratégia da Vepê Indústria Alimentícia, líder no segmento de dietéticos, para enfrentar a disparada do dólar. "90% da matéria-prima são importados da Alemanha, Estados Unidos e Holanda", afirma Claudia Andrea Fajuri, diretora comercial. "Estamos absorvendo custos da ordem de 35%", diz.
Ela conta que o estoque disponível no primeiro bimestre, de 45 dias, foi suficiente para segurar preços. Tanto que a empresa computou crescimento de 11% na produção física neste período sobre os primeiros dois meses de 1998. Março, ao contrário, deverá despencar, conta. "Em tempos de crise o consumidor corta tudo e opta por produtos de menor valor agregado", lamenta.
Para meados de 1999, a Vepê tinha como meta crescer 12% em volume físico e faturamento sobre o ano anterior. "Após a reviravolta cambial, baixamos para 2% e assim mesmo apostando nos 14 lançamentos realizados no ano passado", conta.
Para este ano a Vepê não colocará novos produtos nas prateleiras, porém, continuará investindo em marketing. "Nos últimos dois anos foram investidos US$ 18 milhões. A verba destina para este ano sofrerá redução de 25%", conta. Em 1998 a empresa faturou US$ 89 milhões.
Slim - A Slim Produtos Dietéticos, pioneira no desenvolvimento de produtos à base de aspartame, está negociando com os supermercados tentando "aliviar o impacto de preços para o consumidor final". "Por parte da indústria estamos reduzindo margem de lucro e o varejo, que opera com margem bruta de até 100%, em determinados produtos, também terá que ceder", afirma Pietro Pedrinola, diretor-presidente.
"Só vamos aceitar reajustes dentro da realidade", rebate Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Ele calcula que com a variação cambial alguns produtos poderão sofrer aumentos de até 30%. É o caso, por exemplo, do sal fabricado na Escócia e importado pela empresa.
Trata-se de um produto substituto do sal comum, mantendo o mesmo sabor do tradicional, porém, com 66% menos sódio. O volume importado saltou de 200 toneladas em 1997 para 1.000 toneladas no ano seguinte. "Se não houver acordo alguns produtos se tornarão inviáveis", reclama.
O adoçante em pó também terá um forte aumento de preço. "Neste caso giraria em torno de 15%", estima Pedrinola. Segundo ele, do total de matéria-prima utilizada pela Slim cerca de 75% é importada. Mas o empresário está otimista com o desfecho das negociações com o varejo.
"Se chegarmos a um meio termo vamos manter a estimativa de crescer entre 20% e 25% no volume físico e mais 15% no faturamento. Temos dez novos lançamentos para o ano", afirma. No ano passado a receita atingiu RS$ 14 milhões.
Mercado - O mercado de dietéticos tem sido um dos que mais crescem dentro do setor alimentício no Brasil, de acordo com dados da Abiad. "É um mercado com muito espaço para crescer
já que responde por 2% do total de vendas da indústria de alimentos no País, enquanto na Europa os dietéticos perfazem cerca de 14% do faturamento e nos EUA 36%", afirma o vice-presidente da Abiad.
O cenário seria bastante promissor se a economia fosse retomada. São cerca de 33 fornecedores que movimentam aproximadamente 62 marcas e 350 tipos diferentes de produtos. O setor vinha registrando fortes aumentos nos últimos anos. Em 1998, por exemplo, cresceu 300% sobre o ano anterior.


