Indústria de brinquedos ameaça ir ao Cade contra reajustes de preços
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 22 (AE) - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Sinésio Batista da Costa
disse hoje, durante reunião semanal dos diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que apesar da desvalorização do real ter beneficiado o setor de brinquedos, o segmento está "ardendo de raiva" com o aumento de preços que está sendo anunciado por fornecedores. Segundo ele, o segmento de plástico, resina e espuma está aumentando seus preços entre 18% e 27%.
O presidente da Abrinq disse que está tentando conversar com os fornecedores para tentar mostrar que o crescimento da indústria também vai beneficiá-los. "A conversa é simpática, mas não passa de um diálogo de surdos", ironizou Batista da Costa. Ele disse que vai recorrer ao Conselho Administrativo de Defessa Econômica (CADE), do Ministério da Justiça, por meio de um processo administrativo caso os fornecedores não revejam os aumentos. "O que tentamos mostrar aos fornecedores é que eles podem até flertar com outros países, mas vão ter mesmo é que casa aqui com a gente", disse Batista da Costa ao referir-se à intenção dos fornecedores de exportar seus produtos.
Apesar dos problemas, a Abrinq decidiu que não adianta reclamar do momento econômico. Contra as dificuldades, o setor pretende responder com trabalho. Segundo Batista da Costa, o segmento deve produzir este ano 230 milhões de brinquedos, o que representa crescimento de 15% sobre o volume do ano passado. De acordo com ele, serão lançados cerca de 1.500 brinquedos, dos quais 80% serão populares e chegarão ao mercado custando até R$ 30,00. "Vamos atingir cinco milhões de crianças que nunca tiveram brinquedos", disse Batista da Costa. Com isso, o setor espera contratar no mínimo duas mil pessoas este ano, elevando para 20 mil o número de empregados no setor.
Hoje o País tem 250 indústrias que faturaram em 98 R$ 850 milhões e a perspectiva é de crescer mais 4,5% este ano. Outra ação dos fabricantes de brinquedos para driblar a crise atacando os contrabandistas, aumentando a fiscalização nos portos e oferecendo produtos com preços competitivos. "Dos 15% que devemos crescer este ano, 6% tomaremos do mercado de contrabando", disse Batista da Costa.


