São Paulo, 16 (AE) - Os resultados obtidos pela indústria de alimentos nos primeiros quatro meses deste ano superaram as expectativas. O setor registrou alta de 2,30% na produção física sobre o mesmo período do ano passado. A estimativa, em princípio, era de variação negativa, por causa da desvalorização cambial. "A crise não abalou os negócios", confirma Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Diante deste cenário, o setor já refez suas contas para cima. A previsão era encerrar 1999 com crescimento de 3%. "Com essa tendência de alta a produção poderá beirar um acréscimo de 5%", afirma. Produtos de proteína animal puxaram os negócios, atingindo um aumento de 9,8%, seguido dos setores de laticínios 3,2% e massas secas 2,8%. Em contrapartida, as conservas vegetais amargaram queda de 17% e óleos e gorduras recuaram 2 8%.
A produção nacional de frangos, por exemplo, confirma o aumento nas vendas de proteína animal. No quadrimestre, houve acréscimo de 16,67%. Foram produzidas 1.640.474 toneladas ante as 1.406.092 no ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco).
A Danone S/A, líder no segmento de lácteos, registrou incremento de 5% no volume de produção no período. Para se ter uma idéia, a francesa investiu R$ 31,7 milhões neste período no lançamento de quatro novos produtos e já tem programada uma nova cifra que será desembolsada até fins deste ano. "As vendas tendem a fechar o ano com crescimento de 5% na produção física neste ano e 8% na receita", afirma Onofre Portella, gerente de assuntos corporativos.
Claudio Zanão, diretor geral da Emege Produtos Alimentícios S/A, produtora de massas secas, estima um aumento de 40% na produção neste ano sobre o anterior. "No quadrimestre as vendas já cresceram neste patamar", afirma. Por conta disso, a empresa irá ampliar a produção de 2,5 mil toneladas/mês para 4 mil toneladas/mês no próximo ano.
"O investimento previsto é de US$ 7 milhões e a ampliação da fábrica, em Goiânia, Goiás, deverá ter início em meados de 2000. O faturamento que foi de US$ 65 milhões no ano passado deverá fechar em US$ 90 milhões neste ano", afirma. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima) apontam uma produção física nos primeiros quatro meses do ano superior 10%.
Acumulado - Tomando como base o acumulado dos últimos doze meses, o índice continua positivo 5%. Abril deste ano sobre o mesmo mês do ano anterior também teve bom desempenho: acréscimo de 3,3%. O resultado só se torna negativo comparando abril com o mês de março, ou seja, queda de 8,6%. Ribeiro explica que esse resultado já era esperado. "Em março, os negócios que se encontravam emperrados entre indústria e comércio, justamente em função dos reajustes de preços provocados pela desvalorização cambial ganharam fôlego e deslancharam", afirma.
"Março fechou em alta de 24% sobre fevereiro e aumentou 7,9% em comparação a março do ano passado", informa. E acrescenta que "a resistência do varejo em aceitar repasse de custos obrigou a indústria a reduzir a produção em fevereiro. Isso significa que vários negócios iniciados em fevereiro foram fechados em março".
Queda da inflação, estabilidade do dólar, superávit da balança comercial, são outros dados, que na sua opinião, são responsáveis pelo bom desempenho da indústria de alimentos."Os negócios voltaram a fluir rapidamente em resposta aos sinais de estabilidade", acredita o economista.
Supermercados - As vendas nos supermercados, ao contrário, recuaram. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam que o setor registrou queda nas vendas de 0,87%.
Para o ano, a indústria de alimentos está mais otimista que o varejo. "A produção deste ano deverá ficar pelo menos 5% acima da registrada em 1998", afirma o economista. Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), ao contrário, acredita que se os negócios encerrarem no mesmo patamar será um bom ano. José Humberto Pires de Araújo, presidente da Abras, estima aumento ao redor de 5%.
Assaf explica que o consumidor não está reduzindo o volume de compras, mas substituindo produtos por marcas mais baratas. "Os líderes continuam campeões, porém com percentual de participação de mercado em queda", afirma.

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