Indústria da Grande SP tem forte dependência de importados
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 10 (AE) - As indústrias da Grande São Paulo têm forte dependência de componentes importados na sua produção. Isto ficou evidente numa pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado (Fiesp), entre os últimos dias 3 a 8 de fevereiro junto a 186 empresas da região. Deste universo, 85% utilizam insumos importados na fabricação de seus produtos.
"Isto mostra que o processo de inserção do Brasil no mundo globalizado é uma realidade", avaliou o diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, Roberto Faldini, ao apresentar hoje o resultado dessa pesquisa. Entre as 186 empresas consultadas, 92% têm entre 50 e 499 empregados, o que as coloca na classificação de médio porte.
Ao serem indagadas se a mudança na política cambial as surpreendeu, 50% das empresas responderam afirmativamente, explicando terem compromissos em dólar. Outras 40% das indústrias também foram surpreendidas, mas não tinham compromissos na moeda norteamericana. Apenas 10% não se mostraram surpresas com a alteração cambial.
De acordo com esta pesquisa 49% das empresas da Região Metropolitana de São Paulo acreditam que o regime flutuante de câmbio põe em risco a estabilidade do real. Ao contrário 35% enxergam risco no câmbio flutuante, enquanto 16% não tem opinião formada.
De acordo com Faldini, a pesquisa não indagou os empresários se eles repassariam esse aumento de custos, já que utilizam insumos importados para o preço final de seus produtos. A Fiesp ainda está discutindo como levantar estas informações para que não haja nenhuma distorção.
Faldini acredita, no entanto, que os empresários deverão repassar o custo advindo da desvalorização do real para o preço de venda. "Para o setor produtivo, as margens já estão bem próximas do zero ou negativas. Não há o que cortar", explicou.
Sobre o comportamento das vendas no último mês de janeiro em relação ao mesmo mês de 1998, 64% dos empresários consultados pela Fiesp, acreditam que venderão menos. Outros 20% acham que terão vendas estáveis e 16%, esperam vender mais.


