Itaparica (BA), 21 (AE) - O economista Eduardo Gianetti da Fonseca, professor da USP, denunciou a existência de uma "indústria" de criação de municípios no Brasil. Segundo ele, esse é um dos principais fatores que vem agravando a situação do déficit público, juntamente com a alta dos juros e a Previdência
mas sem atrair a atenção da sociedade.
Segundo Gianetti, foram criados mais de 1.000 municípios na década de 90 - o Brasil tem atualmente 5.513 municípios -, e esta onda se agravou após o Plano Real. Ele lembrou que a maioria desses municípios foi criada após 1994.
O economista observou que cada município pode criar uma câmara com até 21 vereadores. Além disso, passa a receber uma fatia da receita dos fundos de participação estadual e federal. Ele observou que nesses novos municípios apenas 13% dos gastos são gerados com receita própria. Os 87% restantes são financiados a partir de recursos transferidos dos estados e da União.
Ele citou como exemplo os municípios fluminenses, em pesquisa da revista Conjuntura Econômica. Em 1996, os municípios do estado do Rio gastaram R$ 270 milhões para custear os seus vereadores e R$ 740 milhões para os outros gastos, como educação e saúde. Isso gerou um gasto per capita de R$ 206 mil/ano com vereadores e de apenas R$ 56,00 por cidadão.
No município de Duque de Caxias, por exemplo, foram gastos R$ 14 milhões com 21 vereadores e R$ 32 milhões para os 700 mil habitantes da cidade. Isso gerou um gasto per capita de R$ 45,00 por cidadão e de R$ 666 mil por vereador.
Sem compromisso - "Abrir novos municípios no Brasil é o melhor negócio do mundo" declarou. Segundo ele, os municípios não se comprometem em gastar recursos com a população mas mesmo assim recebem verba federal e estadual para sua estrutura burocrática.
O economista da USP disse que no Brasil os legislativos municipais já estão empregando mais funcionários do que todas as montadoras instaladas no País. Ele citou o caso do município de Ituitaba (MG), com 85 mil habitantes onde a população conseguiu, com uma ação na Justiça reduzir os gastos com vereadores. Na sua opinião há atualmente uma "farra" de novos municípios.

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