Curitiba- O prejuízo do setor literário com as cópias chega a R$ 400 milhões. São feitas cerca de 2 bilhões de cópias clandestinas. ''Hoje a indústria da cópia é maior do que a indústria legal. Temos evasão de tributos que poderiam estar indo para o governo federal e desemprego, cerca de 5 mil pessoas deixam de ser empregadas por causa da indústria da cópia e da pirataria'', afirmou o Enoch Bruder, integrante do setor literário do conselho e presidente da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR).
Nesta semana o Conselho de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, concluiu a composição do Plano Nacional de Combate à Pirataria. Foram elencadas 100 ações que terão que ser colocadas em prática em até dois anos. Entre as principais ações está a luta contra o volume de cópias de livros reproduzidas em universidades e faculdades públicas e privadas de todo o Brasil.
Uma recente pesquisa feita pela ABDR demonstra que as bibliotecas e copiadoras são as principais opções para o estudante não comprar livros. Cerca de 63% dos alunos tiram cópias de livros rotineiramente, 6% pesquisam na Internet e apenas 1% compram livros. Os demais procuram as bibliotecas. O estudo demonstra ainda que os universitários que tiram xerox são na maioria jovens provenientes de família com alta escolaridade e possuem alguma atividade ou trabalho. ''O aluno que lê xerox do livro muitas vezes nem sabe quem é o autor. O resultado é o péssimo índice de leitura escolar e a baixa qualidade de ensino. Quem não come livro com farinha, não sabe nada'', considerou Bruder.
O respeito ao direito autoral está inserido na Lei 9.610 de 1998. É considerada como reprodução a cópia de um ou mais exemplares de uma obra literária, científica ou artística. A cópia depende de autorização prévia e expressa do autor. Por isso, algumas ações estão sendo realizadas pelo conselho. A primeira é a recomendação expressa para que os reitores de universidades façam cumprir a lei dentro dos centros universitários, ciente de que o xerox dos livros é um ato ilícito; o Ministério da Educação (MEC) deverá instituir a cadeira de direito de propriedade intelectual nos cursos de Direito; o MEC também terá que rever o conceito de que as bibliotecas precisam ter um livro para um grupo de 15 alunos, considerado como índice baixo; que sejam propostos sistemas de troca entre as escolas para evitar a pirataria; que seja criada em cada estado uma delegacia que trate apenas de crimes contra o direito autoral. Essas ações começam a ser implementadas imediatamente.

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