Curitiba - Vinte deficientes auditivos ganharam uma oportunidade de qualificação e estão prestes a começar a trabalhar em uma fábrica do setor metal-mecânico. Eles são os formandos da segunda turna do curso de mecânica básica para deficientes, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) no Paraná e criado por meio de uma parceria entre o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado (Sindimetal) do Paraná, a Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social e a Bosch. A intenção é ajudar na inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais no mercado de trabalho.
A idéia de montar um curso para deficientes surgiu, segundo o presidente do Sindimetal, Roberto Sotomaior Karam, da necessidade de se cumprir a legislação, que exige que toda empresa com mais de 100 funcionários componha de 2% a 5% de seu quadro com deficientes, e por causa da questão da responsabilidade social. Contudo, a dificuldade esbarrava justamente na qualificação dessas pessoas. ''Dez dias depois que a primeira turna se formou, todos os 16 alunos já estavam empregados'', conta. Os primeiros alunos terminaram o curso no final de setembro de 2002.
Foi com a qualificação do curso que o deficiente auditivo Renato Carlos dos Santos, 27 anos, conseguiu seu primeiro emprego. Ele, que se formou junto com a primeira turma, trabalha atualmente na Bosch e conta que antes era sua mãe que o sustentava e a seu filho de nove anos. Hoje Santos já mora com sua família e tem uma renda de cerca de R$ 750 por mês. O metalúrgico garante que não há preconceito dentro da fábrica. Foi a Bosch que patrocinou as aulas para a segunda turma e pretende contratá-los, caso todos passem nos testes admicionais da empresa.
De acordo com dados passados pelo coordenador do Programa de Apoio à Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho, da Secretaria de Estado do Trabalho, José Simão Stczaukoski, a colocação de deficientes no mercado ainda é pequena. Segundo ele, de janeiro a maio deste ano 2,273 portadores de necessidades especiais se inscreveram nas Agências do Trabalhador de todo o Paraná. Destes, somente 449 conseguiram emprego. ''Por falta de oportunidades, os deficientes estudam muito menos. No Brasil, enquanto uma pessoa 'normal' estuda em média 5,8 anos, um deficiente estuda 2,7 anos'', explica.
E a falta é mesmo de uma chance e não de vontade, assegura o técnico em metal-mecânica e professor do curso Norberto Luiz Menegotto. ''Eles têm interesse e força de vontade. O fato de serem surdos até ajuda na concetração. Basta um intérprete que todas as barreiras são superadas'', afirma. ''As pessoas têm uma mística, um pensamento que é difícil incluí-los. Mas basta tomar a iniciativa que se vê que não são grandes os obstáculos'', defende a interlocutora do Programa Pais de Ações Inclusivas do Senai-PR, Marlete Simas.

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