Indústria brasileira fatura 6,21% menos em janeiro
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 09 (AE) - Todos os indicadores de desempenho da indústria nacional foram negativos em janeiro, com exceção do uso da capacidade instalada das empresas, segundo a primeira edição do relatório "Indicadores Industriais CNI", divulgado hoje pela Confederação Nacional da Indústria. O faturamento real da indústria caiu 6,21%, em relação a dezembro. Excluídos os fatores sazonais, a queda foi menor, de 4,03%.
O presidente da CNI, Fernando Bezerra, considera que a reversão do quadro de crise só deverá ocorrer com a queda dos juros. Ele disse acreditar que o governo vai reduzir os juros, porque manter as taxas atuais seria "pouco inteligente", em razão, principalmente, do aumento da dívida interna, que hoje já é de R$ 420 bilhões.
Balança comercial - Bezerra disse achar difícil, nas condições atuais de financiamento às exportações, que o governo vá conseguir o superávit de US$ 11 bilhões previsto no acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele ressalvou
porém, que o governo deve ter um conjunto de medidas para anunciar que permitirá a concretização dessa meta.
O cálculo inicial da CNI era de que o superávit da balança neste ano poderia chegar a US$ 5 bilhões. O assessor econômico da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que a balança comercial deverá continuar apresentando superávit este mês, ainda por conta da retração nas importações. Ele acha que um crescimento mais expressivo das exportações só vai ocorrer a partir de abril, quando as linhas de financiamento externo deverão estar normalizadas.
Emprego - Segundo Castelo Branco, deverão dar uma contribuição expressiva para o resultado da balança as exportações de produtos agrícolas como a soja e o café. Na avaliação do assessor econômico da CNI, o dólar poderá estabilizar-se em torno de R$ 1,70, como pretende o governo, até o fim do ano.
O desemprego, na opinião dele, deverá continuar crescendo por conta da retração da eocnomia. O mês de abril, observou Castelo Branco, deverá ser o ponto mais crítico, podendo o desemprego ficar em 10% da População Economicamente Ativa (PEA), porque é a partir de março que um maior número de pessoas começa a procurar emprego.


