Indústria automobilística vai usar o e-commerce para vender mais9/Mar, 15:03 Por Carla Franco São Paulo, 08 (AE) - A indústria automobilística está pegando carona na expansão do comércio eletrônico para impulsionar a venda de veículos comerciais leves, como furgões e vans, utilizados no transporte de produtos encomendados na Internet. A recente tendência é uma das principais apostas da indústria para incrementar a demanda na Europa e nos Estados Unidos e recuperar os níveis de produção e vendas nos mercados latino-americano e brasileiro. Na opinião do responsável pela divisão mundial de veículos comerciais da DaimlerChrysler, Dieter Zetsche, o e-commerce é uma importante ferramenta para proporcionar um "futuro mais promissor" à indústria automobilística. "Eu vejo um grande crescimento nas vendas de vans e caminhões leves nos mercados já consolidados e um aumento ainda maior nos mercados em desenvolvimento", afirmou o executivo em Stuttgart, na Alemanha. "Ainda não inventaram um software capaz de levar às pessoas os produtos encomendados na Internet", justificou. O volume de transações on-line deve totalizar US$ 380 bilhões este ano, o que vai representar entre 10% e 25% do comércio mundial em 2002, segundo informe da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Zetsche evitou fazer estimativas sobre o crescimento das vendas de veículos comerciais leves em razão do comércio eletrônico. "Qualquer previsão seria mera especulação", disse. A DaimlerChrysler, associação entre a alemã Mercedes-Benz e a norte-americana Chrysler, vai investir US$ 1,2 bilhão no desenvolvimento e tecnologia de veículos comerciais este ano. As vendas mundiais de vans da companhia cresceram 3,4% em 99, totalizando 206 mil unidades. No Brasil, a van Sprinter, produzida na Argentina, obteve 17% de participação no segmento entre duas e quatro toneladas em 99. "Nós acreditamos num aumento em torno de 40% a 50% na frota dos grandes supermercados e organizações que trabalham com vendas via Internet", previu o diretor de vendas da Mercedes-Benz e da DaimlerChrysler na América Latina, Roberto Bógus. A expectativa da Mercedes é de um crescimento de 22% na comercialização de vans e furgões este ano. O Pão de Açúcar Delivery, que utiliza a Sprinter, da Mercedes-Benz, ampliou sua frota de 5 para 25 veículos desde 95 e já encomendou mais 40 vans para atender aos pedidos feitos na Internet. O grupo anunciou na semana passada investimentos de US$ 5 milhões para reformular seus sistema de vendas eletrônicas. O diretor de vendas da Fiat Automóveis, Donato Collares Guimarães, apontou o transporte de mercadorias adquiridas na Internet como um dos principais fatores para o aumento das vendas de veículos comerciais leves em 99. "Há uma tendência de crescimento muito forte desde o ano passado", afirmou. "Nós estamos apostando no comércio eletrônico." Em 99, enquanto o mercado brasileiro apresentou queda de 27% no segmento de comerciais leves, a Fiat registrou expansão de 22% nas vendas destes veículos. A participação da montadora no segmento passou de 8,2% em 98 para 13,6% no ano passado, em razão, principalmente, do desempenho do Fiorino e do furgão importado Ducato, que registrou aumento de 50% nas vendas. A montadora italiana vai iniciar em julho a produção do Ducato no Brasil. O modelo será fabricado na nova unidade de Sete Lagoas (MG), em parceria com a Iveco, empresa do grupo Fiat. A nova fábrica receberá investimentos de US$ 240 milhões. A Renault do Brasil também já anunciou a construção de sua nova planta em São José dos Pinhais - a terceira no Paraná -, que produzirá o furgão Master.

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