Indústria automobilística pode antecipar férias coletivas para frear ritmo de produção
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sexta-feira, 05 de novembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 06 (AE) - A indústria automobilística poderá antecipar as férias coletivas que habitualmente concede entre o período de Natal e ano novo como forma de frear o ritmo de produção e adequar-se a um mercado que não reage. Nenhuma empresa optou, ainda, pela medida. Mas o presidente da General Motors, Frederick Henderson, disse que a possibilidade não está afastada. "A princípio vamos manter somente a folga das festas de fim de ano", disse Henderson.
Antecipar - ou mesmo esticar - as férias coletivas das festas de fim de ano é uma estratégia que as montadoras sempre utilizaram. O agravante, desta vez, é que os volumes de vendas encolheram sensivelmente e nada indica alteração do quadro. O volume de vendas de carros e veículos de carga em outubro, segundo cálculos a serem ainda consolidados, que foi de 90 mil unidades, corresponde à metade do total do mesmo mês no ano passado. "Isto signfica que a indústria perdeu a venda de quase 100 mil unidades em úm único mês", observa o diretor de marketing e vendas da General Motors, Brent Dewar.
O mercado brasileiro saiu de um volume de 1,951 milhão de veículos em 1997 para 1,534 milhão no ano passado e não deverá passar de 1,25 milhão em 1999. É uma queda de mais de 35%. A produção, que também sofre a consequência da perda de contratos no exterior, principalmente na Argentina, cairá de 2 milhões em 1997 para 1,5 milhão no ano passado, chegando a 1,4 milhão , no máximo, este ano. "O consumidor ainda está esperando por um alongamento de financiamento com juros mais baixos", observa o membro do conselho da Associação dos Distribuidores Chevrolet, Mauri Missaglia. A média mensal de vendas desta marca caiu de 26 mil a 27 mil para 14 mil veículos. Reajuste - O quadro fez até com que algumas marcas voltassem atrás no reajuste de preços, elevando as tabelas em percentuais menores. Até a marca de luxo Mercedes-Benz baixou o preço do Classe A em 10%. Outros, como Fiat, estão alargando os prazos de faturamento de carros para a rede para evitar que os altos custos de estoque descapitalizem os concessionários.
Na área de engenharia, as montadoras se preparam para reforçar as vendas ou lançar novos produtos beneficiados pela recente alteração na grade do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). As atenções estão agora voltadas para os veículos com tração 4 x 4 a diesel, que terão a alíquota de IPI reduzida de 25% para 10% a partir de janeiro.


