Indústria automobilística espera produzir 120 mil carros em junho
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 08 (AE) - A indústria automobilística se prepara para produzir este mês 120 mil veículos. Será o volume mais alto desde de setembro do ano passado, quando foram produzidas 148,6 mil unidades. O setor conta, para elevar o ritmo da produção, não apenas com a recuperação do mercado interno como também demanda maior nas exportações, em razão dos efeitos da desvalorização do câmbio.
No mês passado foram produzidos 114.615 veículos, o que representou uma queda de 0,18%. Este volume ficou 34% abaixo do que se produzia há um ano. As vendas de veículos nacionais e importados somaram 114.618 unidades, 8,35% menos do que em abril. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, o mercado ficou parado em maio porque o consumidor se retraiu durante as negociações do acordo emergencial, que manteve os impostos de carros reduzidos. Em razão disto, os estoques cresceram. A indústria terminou o mês passado com 127.224 veículos parados nos pátios das fábricas e dos concessionários.
O volume estocado, que é 4,6% maior do que em abril, é suficiente para 35 dias de vendas. Mas os dirigentes da indústria estão otimistas com a expectativa de exportação. Pinheiro Neto manteve hoje, durante apresentação do desempenho do setor, a expectativa de faturar este ano, no exterior, US$ 5 5 bilhões, o que daria um aumento de 10% em relação ao ano passado.
Parece uma meta difícil de ser atingida porque até agora as montadoras só conseguiram faturar no exterior, de janeiro a maio, US$ 1,314 bilhão. Além disso, ainda permanece a crise do mercado argentino, o maior comprador.
"Se não fosse a Argentina estaríamos explodindo com as exportações, porque o carro brasileiro se tornou um dos mais baratos do mundo na concorrência internacional", destacou o presidente da Anfavea. Ele lembrou que o volume exportado este ano cresceu 10% enquanto que o faturamento subiu 1,4%. "Isto significa que estamos transferindo os ganhos com a desvalorização" disse.
Confaz - A redução do ICMS estará na pauta da reunião de amanhã do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Brasília. Em São Paulo, a Assembléia Legislativa está prestes a votar a proposta do governador Mário Covas, de reduzir o tributo estadual de 12% para 9,5%. Existe uma expectativa por parte da indústria de que o benefício seja estendido às operações interestaduais. Além disso, os dirigentes das montadoras vão continuar conversando com os demais governadores para estender o benefício. O setor já ganhou a redução de IPI nos próximos 90 dias.
A Anfavea apresentou também hoje o desempenho no varejo, ou seja, as vendas dos concessionários, que registraram uma queda de 22%. Os concessionários venderam em maio 99.400 veículos feitos no Brasil e importados pelas montadoras. Em relação ao mesmo mês do ano passado a queda foi de 31,4%. Este resultado é que mostrou que o consumidor ainda está retraído. Mesmo assim, os fabricantes lembram que no início do ano, logo depois da desvalorização do câmbio, o desempenho mensal foi pior.
No mês passado o carro popular continuou liderando a venda de automóveis, com participação de 70,3% do total, a maior marca desde setembro. Já a participação dos carros a álcool manteve-se estável, apesar do empenho do governo em reativar o Proálcool. Foram vendidos 397 carros a álcool, apenas 0,4% do total.
As montadoras também conseguiram eliminar 628 vagas por meio dos Programas de Demissões Voluntárias, o único meio de cortar permitido no acordo automotivo emergencial. Mas também houve 248 contratações, o que resultou num saldo de 380 postos de trabalho a menos. Pinheiro Neto não acredita que as 600 contratações na Fiat, anunciadas na semana passada, representam uma tendência no setor para os próximos meses.
Mercosul - Os representantes da indústria automobilítica do Brasil e da Argentina vão se reunir nesta quinta-feira, em Buenos Aires, para discutir o futuro do acordo automotivo do Mercosul. Existe hoje uma série de diferenças entre os dois maiores produtores. A principal refere-se às alíquotas do imposto de importação de peças compradas fora do Mercosul.
Hoje o imposto de importação dos componentes é de 2% na Argentina e 9% no Brasil. A regras do regime automotivo estabelecem que as alíquotas passarão a ser de 14% a 18% a partir do ano 2000. O imposto dos automóveis também provoca impasse. Estabeleceu-se, no regime, que os carros importados fora do Mercosul terão a alíquota de imposto elevada dos atuais 24% para 35% a partir do ano 2000.
Os representantes das mondadoras na Argentina querem imposto reduzido para 17,5% para os veículos que eles trouxerem de outros países. As discussões de quinta-feira deveriam se limitar às questões técnicas e tributárias. Mas certamente vão se ampliar.


