Indústria assume compromisso de erradicar trabalho infantil em SP
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Carin Homonnay Petti 
São Paulo, 22 (AE) - A indústria paulista assumirá amanhã (23) compromisso de erradicar o trabalho infantil e a discriminação nas empresas com a assinatura de documento conjunto da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Fundação Abrinq pelos Direitos da Crianças e Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Com o acordo, as entidades comprometem-se a não contratar menores de 16 anos e cobrar o mesmo de clientes e fornecedores. O documento prevê também a promoção da igualdade de oportunidades aos empregados, independente do sexo, origem étnica e condições físicas.
Segundo a Fundação Abrinq, 4 milhões de crianças menores de 14 anos trabalham no Brasil. Entre os setores mais críticos estão plantação de cana-de-açúcar, de fumo e sisal, afirma o presidente da fundação, Sérgio Mindlin. Cerca de metade desses meninos e meninas vive no nordeste, apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do acordo não prever punições a quem desrespeitá-lo, o diretor-presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, defende o boicote aos empregadores de mão-de-obra infantil. "Se empresas como Petrobrás, BR e Shell não comprassem álcool de usinas que contratam crianças, poderíamos resolver o problema no setor sucroalcooleiro", exemplificou. Pressão - A pressão dos clientes já deu resultado em algumas áreas. Assustados com a ameaça de boicote à laranja brasileira, vinda de países como a áustria, as empresas filiadas à Associação dos Exportadores de Suco Cítrico (Abecitrus) promoveram programas para retirada de mais de 2,5 mil crianças da colheita da laranja, encaminhadas a programas sociais. O mesmo ocorreu com o setor calçadista de Franca, em São Paulo, que deixou de empregar 400 meninos e meninas.
Para possibilitar a eliminação do trabalho infantil, a Fundação Abrinq defende programas como o de renda mínima, que garante remuneração mensal para famílias que mantêm as crianças na escola, sem trabalhar. "Esta é uma das soluções mais criativas que apareceram nos últimos anos", diz Mindlin, que citou como exemplo bem sucedido o programa implantado pelo ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque. Responsabilidade social - Além de fazer bem à consciência dos empresários, a responsabilidade social contribui para a saúde financeira das empresas, garantem Grajew e Mindlin. Para eles, as companhias que não discriminam funcionários têm maior produtividade. "Nos Estados Unidos existem fundos de investimentos em ações de empresas socialmente responsáveis, que rendem de 20 a 25% mais que a média do mercado", conta o presidente da Abrinq.
O termo de compromisso será assinado amanhã por Mindlin, Grajew e pelo presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva. Participarão também do evento os presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, além de representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Internacional do Trabalho (OIT).


