São Paulo, 11 (AE) - A indústria têxtil argentina TN & Platex, o maior comprador e um dos cinco maiores consumidores de algodão daquele país, com consumo anual de 25 mil toneladas, está negociando a importação de produto do Mato Grosso para suas cinco fiações. A empresa está fazendo contatos com produtores de Primavera do Leste para estabelecer parcerias na comercialização. A negociação sinaliza as mudanças que vêm ocorrendo no comércio de fibra entre os dois parceiros do Mercosul. Antes a maior origem das importações brasileiras, a Argentina agora estuda suprir parte de seu abastecimento com algodão brasileiro.
Em 96, a Argentina exportou 226 mil toneladas de algodão para o Brasil, pouco mais de 25% do consumo nacional; o número caiu para 153 mil toneladas em 97, para 90 mil toneladas em 98 e se recuperou para 110 mil toneladas no ano passado. Este ano, traders estimam que o número não ultrapasse 30 mil toneladas. Nos últimos 4 anos, enquanto a produção brasileira cresceu, a argentina teve sucessivas quebras. Em 96, a Argentina produziu 448 mil toneladas de algodão, número veio caindo nos anos subsequentes até atingir 195 mil toneladas em 99.
Este ano, a previsão é de que a safra fique em apenas 135 mil toneladas, como resultado do endividamento de produtores e consequente redução da área. Como resultado dessa mudança de cenário, as indústrias argentinas estão buscando importações para completar seu abastecimento. O setor têxtil consome ao longo do ano 95 mil toneladas de algodão, mas é obrigado a disputar os lotes com os exportadores. Além disso, grande parte da produção argentina é de algodão com alto teor de impureza, enquanto a indústria local consome predominantemente algodão "fino", que é produzido em grande quantidade no cerrado brasileiro.

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