Indonésia volta a rejeitar presença de força da ONU no Timor Leste
Jacarta, 08 (AE-ANSA) - O governo da Indonésia voltou a rejeitar hoje (08) a iniciativa de uma força internacional de paz para restabelecer a ordem em Timor Leste, que há dias sofre da violência provocada pelas milícias antiindependência. O secretário do Estado da Indonésia, Muladi, reafirmou que seu país "está fazendo o que pode para restabelecer a ordem em Timor Leste" e rejeitou a presença de tropas estrangeiras na fase três da transição até a completa independência da província
sancionada no referendo do último dia 30 de agosto. Nesta quarta-feira (08), a ONU anunciou a evacuação de todo o seu pessoal das instalações sitiadas pelas milícias pró-Jacarta em Dili, informou o porta-voz Brian Kelly. A evacuação teve início às 10h (hora local) desta manhã (08). Kelly disse que 206 funcionários internacionais e 167 timorenses que trabalham para a ONU, assim como membros de suas famílias, estavam sendo transferidos para outro país de avião. As instalações da ONU em Dili têm sido cercadas por grupos paramilitares que se opõem à independência da província - anexada à força pela Indonésia em 1975. Como parte dos esforços para expulsar os habitantes locais, soldados indonésios e milicianos têm cortado o fornecimento de água e energia elétrica da capital Dili. De acordo com testemunhas, soldados indonésios "estão saqueando tudo o que encontram no seu caminho", participando dos atos de violência executados pelos grupos paramilitares. Um partidário da independência do Timor Leste, que pediu anonimato, disse ter visto soldados saquearem casas abandonadas pela população aterrorizada e carregando os móveis em caminhões. "Estão destruindo Dili", disse o ativista. "Eles tentam assassinar todas as pessoas com educação para que depois o país não tenha condições de se desenvolver", acrescentou.





