Indonésia poderá permitir uma força de paz da ONU no Timor Leste
Jacarta, 02 (AE-AP) - Pressionado por governos estrangeiros, que exigem o fim da violência no Timor Leste, a Indonésia deu sinais hoje (02) de que está prestes a aceitar a presença de forças de paz da ONU na província. O principal assessor do presidente B.J. Habibie disse que "valia a pena" estudar a idéia e as forças armadas disseram que essas tropas serão necessárias se o resultado do plebiscito de segunda-feira for a independência do Timor Leste - como muitos acreditam. Essas declarações significam uma drástica mudança na atitude do governo de Jacarta, que até agora insistia em encarregar-se da manutenção da ordem na ex-colônia portuguesa, anexada à força em 1975. Os Estados Unidos, Austrália, Portugal e outros países têm pressionado a Indonésia para que coloque um fim nos choques entre os grupos rivais que continuam se atacando. Essa pressão pode ter convencido Habibie da necessidade de aceitar ajuda para reprimir os partidários da independência e as milícias pró-Jacarta. "Não está excluída a possibilidade de que a Indonésia permita à ONU enviar uma força de paz ao Timor Leste, porém, o governo ainda não discutiu o assunto, disse o secretário de Estado Muladi. "Se a situação no Timor Leste piorar, acredito que seja válido considerar essa possibilidade", disse Muladi, principal assessor de Habibie. O general Sudrajat, porta-voz das forças armadas da Indonésia, disse que será necessária a presença de uma força da ONU se o resultado do plebiscito for a independência da província. Nesse caso, as tropas militares e a polícia da Indonésia se retirariam e seria necessária a presença de uma força com credibilidade para evitar um vácuo no poder.





