Jacarta, 22 (AE-AP) - A Indonésia não permitirá que seus militares sejam julgados por um tribunal internacional de guerra
afirmou hoje (22) o presidente Abdurrahman Wahid. Segundo ele, o sistema judicial indonésio, não as Nações Unidas, é responsável em levar os responsáveis pelas atrocidades cometidas em Timor Leste a julgamento.
As declarações de Wahid foram feitas horas depois que o ex-chefe militar da Indonésia, general Wiranto, agora membro do governo, deixou de comparecer diante de uma comissão governamental que investiga abusos de direitos humanos na ex-província indonésia. Ao invés disso, enviou uma mensagem pedindo à comissão para adiar a audiência por uma semana.
Descrevendo a questão como "um assunto de soberania nacional", Wahid afirmou que a "Indonésia não deseja que um tribunal internacional julgue Wiranto ou qualquer outro líder militar". E acrescentou: "Não estou tentando proteger ninguém. Temos que respeitar nossas cortes".
De acordo com as investigações, Wiranto e outros comandantes militares deveriam ser responsabilizados pela onda de violência que avassalou Timor Leste depois do plebiscito que escolheu a independência da Indonésia. Segundo as investigações, os militares sabiam das atrocidades cometidas pelos milicianos pró-Jacarta, mas não fizeram nada para evitá-las.
Em Díli, a capital timorense, seis comerciantes ficaram feridos na explosão de uma granada jogada por um miliciano em um mercado de rua, informou o porta-voz da força internacional de paz em Timor, coronel Mark Kelly. Segundo ele, o incidente ocorreu na segunda-feira, quando mercado estava repleto de gente.

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