Jacarta, 06 (AE-AP) - A Indonésia insistiu hoje (06) que o líder rebelde José Alexandre "Xanana" Gusmão será libertado de custódia e enviado de avião para Timor Leste, apesar de crescentes temores de que ele poderia ser morto.
Advogados de Gusmão, que muitos acreditam se tornará o primeiro presidente de um Timor Leste independente, disse que vão resistir à sua libertação e tranferência até que sua segurança possa ser garantida.
O ministro do Exterior Ali Alatas disse que a Indonésia irá manter seus planos de libertar Gusmão na quarta-feira e levá-lo para Dili, a capital timorense, onde gangues que se opõem à independência pela qual ele lutou estão aterrorizando a população.
Alatas afirmou que a segurança de Gusmão será garantida pela desarmada missão da ONU, Unamet, que organizou o referendo da semana passada, e o exército indonésio, que por muito tempo considerou Gusmão como seu inimigo número 1.
A missão da ONU estava retirando hoje 200 de seus membros porque milhares de soldados e policiais indonésios não conseguiram proteger seu pessoal das milícias, que muitos acusam são apoiadas pelas forças de segurança.
"A segurança de Timor Leste continuará sob a responsabilidade da Indonésia até a próxima seção da MPR", disse Alatas. "Isto inclui a segurança e bem estar de Xanana Gusmão".
A MPR, ou Assembléia Consultiva do Povo, o órgão máximo da Indonésia, deve se reunir em novembro e endossar a independência escolhida pelos timorenses orientais no referendo, garantindo a liberdade da ex-colônia portuguesa.
Um dos advogados de Gusmão, Hendardi, que como muitos indonésios usa apenas um nome, afirmou que "no passado, eu exigi que o governo o libertasse rapidamente, quando a situação ainda estava pacífica.
"Mas o governo está querendo agora libertá-lo numa situação perigosa", disse Hendardi. "Não é seguro para ele ir agora para Dili. Quem irá protegê-lo lá? A desarmada Unamet?"
Jamsheed Marker, representante especial do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para o Timor Leste reuniu-se hoje em separado com Gusmão e com Alatas e o presidente B.J. Habibie. Ele recusou-se a dar detalhes das conversações a jornalistas.
Marker havia dito mais cedo numa entrevista coletiva que a ONU estava "assumindo a posição mais firme possível" em relação à segurança de Gusmão: "Nós percebemos plenamente as implicações da libertação de Xanana Gusmão".
A Indonésia invadiu o Timor Leste em 1975 e promoveu uma brutal campanha de repressão contra combatentes pró-independência que Gusmão eventualmente veio a liderar. Gusmão foi capturado em 1992 e, no começo deste ano, foi transferido para a prisão domiciliar em Jacarta.

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