Indonésia faz objeção contra liderança da Austrália na força de paz
Jacarta, 13 (AE-AP) - O governo da Indonésia impôs hoje (13) obstáculos aos planos para envio de uma força de paz internacional para restabelecer a ordem no Timor Leste. Os indonésios fazem objeções contra a provável liderança da Austrália frente a força internacional - necessária para permitir o envio de alimentos, água e medicamentos aos refugiados no território. As poderosas forças armadas da Indonésia e um influente comitê parlamentar afirmaram que os australianos não são bem-vindos, antes mesmo que o ministro das Relações Exteriores indonésio, Ali Alatas, chegasse à sede da ONU, em Nova York, para negociar os detalhes da ação da força de paz. No entanto, a Austrália vem concentrando soldados e equipamentos em Darwin, distante apenas uma hora de vôo de Timor Leste, e está de prontidão para entrar em ação. Além disso, líderes mundiais, como o presidente norte-americano Bill Clinton, têm dito que o exército australiano irá liderar a força de paz. Da resolução desse impasse depende a sorte de mais de 300 mil refugiados timorenses expulsos de suas casa e que encontram-se à beira da morte. Muitos buscaram refúgio nas montanhas, onde sobrevivem comendo plantas ou os últimos grãos de arroz, que levaram durante a fuga dos ataques das milícias antiindependência e dos soldados indonésios às cidades e povoados do território. A capital Dili voltou a ser castigada com sons de disparos e focos de incêndio em diversas partes. Muitos refugiados, famintos, retornaram à cidade em busca de restos de alimentos entre as lojas e residências saqueadas. "Começaram a colocar fogo nas coisas novamente, ainda que não tenha sobrado muito o que queimar", disse uma fonte da ONU em Dili. A onda de tiroteios e incêndios criminosos havia cessado quando o líder das forças indonésias, general Wiranto, visitou Dili com uma delegação do Conselho de Segurança da ONU, durante o final de semana. "Também começamos a receber mais informações de primeira mão sobre atrocidades, relatadas por testemunhas", disse o funcionário da ONU numa entrevista por telefone. A fonte
que preferiu manter-se anônima, não deu detalhes sobre os relatos, limitando-se a dizer que eram bastante "arrepiantes".





