Indonésia envia 3.000 soldados a Ambon
Jacarta, 03 (AE-REUTERS) - O militarismo indonésio enviou 3.000 soldados com ordens para atirar em arruaceiros que estiverem na mira na assustada ilha de Ambon nesta quarta-feira (03) e demitiu o chefe de polícia local.
O comandante das forças armadas (ABRI), general Wiranto, disse a jornalistas que os soldados tomariam duras ações para restaurar a paz na ilha, onde mais de 200 pessoas morreram em combates sectários desde o meio de janeiro.
"Eu ordenei a eles para tomar duras ações contra qualquer um, independente de suas bases étnicas ou religiosas", disse ele. "(Mas) atirar quando estiver na mira é atirar para desarmar, não para matar."
Wiranto disse também que ordenou ao chefe de polícia nacional, tenente-general Roesmanhadi, substituir o chefe de polícia de Ambon, coronel Karyono Sumodinoto.
A polícia foi acusada de atirar sem alertas contra uma multidão de muçulmanos que deixavam uma mesquita após as orações matinais de segunda-feira. Testemunhas contaram que quatro pessoas morreram no incidente. Dois policiais e um soldado foram presos para responder a inquérito.
Em Jacarta, estudantes muçulmanos conclamaram uma guerra santa contra os cristãos em Ambon e se disseram preparados para morrer.
Cantando "Jihad! Jihad!" (Guerra Santa! Guerra Santa!), mais de mil homens e mulheres protestaram na praça central de Merdeka (Liberdade).
"Enviem-nos a Amon agora. Parem de matar e destruir muçulmanos em Ambon", dizia a frase estampada em uma faixa no local.
Mais de 100 cidadãos de Ambon também fizeram demonstrações em frente aos departamento de Assuntos Internos e de Defesa, exigindo a demissão do governador de Moluccas devido à sua falha ao não estimar a violência.
Apesar de milhares de policiais e soldados em terra, a ABRI foi incapaz de conter a violência. Os distúrbios confrontaram cristãos de Ambon contra muçulmanos diferentes étnica e culturalmente, muitos de diversos lugares do vasto arquipélago.
Ambon, a 2.300 quilômetros de Jacarta, é o coração de Moluccas. Seus quase 400 mil habitantes vivem em diferentes comunidades de cristãos e muçulmanos, às vezes localizados próximos uns dos outros.





