A baixa qualidade de vida e a falta de acesso à cidadania são apontadas como as principais dificuldades enfrentadas pelas tribos indígenas do Paraná. A avaliação é do assessor especial para Assuntos Indígenas da Secretaria da Justiça e Cidadania, Edívio Battistelli. Para ele, a dificuldade de acesso à educação (2º e 3º graus), a falta de alternativas econômicas e a péssima qualidade das habitações transformaram as aldeias em pequenas ‘‘favelas rurais’’, muitas vezes confundidas com acampamentos de sem-terra.
Apesar da triste realidade, o Dia do Índio será lembrado hoje com festa em algumas cidades, além de apresentações de dança e celebrações religiosas .
‘‘Ainda assim, no Paraná, a questão indígena tem um tratamento singular em relação aos demais Estados brasileiros’’, afirmou Battistelli. Ele disse que o governo já assegurou percentual de terra suficiente para abrigar as aldeias e, agora, está partindo para outras ações, visando a melhoria da qualidade de vida dos índios.
Segundo ele, ainda este ano, por meio do programa Paraná 12 Meses, serão construídas 400 casas nas reservas indígenas do Estado. Outras 800 estão previstas para o ano que vem. ‘‘Precisamos garantir um tratamento especial e diferenciado, que o índio não teve ao longo desses 500 anos’’, ressaltou.
A tribo guarani é a segunda mais populosa, com cerca de 3 mil índios. No Paraná, eles estão divididos em três subgrupos: os m’byá, os awa-xiripá e os kaiowá.
Uma peculiaridade do Paraná são os índios da tribo xetá. Dizimados pela colonização cafeeira, só restaram, no mundo, oito xetás puros e outros 28 descendentes. Um grupo, liderado por uma antropóloga e que reúne mais cinco técnicos, está trabalhando para identificar e reagrupar os xetás em uma área chamada Serra dos Dourados, em Umuarama (Noroeste do Estado).
As tribos indígenas no Paraná têm no artesanato, agricultura e pecuária suas principais atividades econômicas. A população indígena é considerada a mais pobre do Estado e, com a limitação das áreas, já não consegue viver da caça e da pesca.

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