Índios vão aos EUA denunciar invasão de áreas
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Carlos Mendes Agência Estado De Belém 
Três caciques da tribo urubu-kaapor, representando 1.300 índios que vivem na divisa do Pará com o Maranhão, embarcaram ontem para os Estados Unidos aonde vão denunciar, no Museu do Índio Americano, em Washington, e na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a invasão de suas terras por fazendeiros e madeireiros e o descaso das autoridades brasileiras quanto à demarcação dos 530 mil hectares de suas terras. Os kaapor também vão anunciar a intenção de expulsar à bala os invasores.
Os caciques Petrônio, Valdemar, Jupará e a índia Yuin, afirmaram ontem, em Belém, que o clima na reserva é de guerra contra os brancos. A cada dia aumenta o número de invasores para roubar madeira, disse Petrônio. A viagem dos índios é paga por instituições de defesa dos povos indígenas da América do Sul sediadas nos Estados Unidos e conta com o apoio da ONU. É a nossa última tentativa de chamar a atenção da opinião pública brasileira e estrangeira para os problemas que estamos enfrentando.
A retirada de madeira dura, como ipê, cedro, massaranduba e currupixá, esta última espécie utilizada como substituta do mogno, segundo os índios, vem sendo feita há vários anos dentro da reserva sem que nenhuma providência seja tomada. Na área habitada por eles, rica não só em madeira, mas principalmente em biodiversidade, fica a chamada pré-Amazônia maranhense.
É um local que está sendo destruído de maneira acelerada, explica o indigenista da Fundação Nacional do índio (Funai) Francisco Potiguara, há 17 anos trabalhando no órgão, dez deles na região dos kaapor.
O risco que a tribo corre de ser extinta, se perder suas terras, é comparado à gravidade de destruição da Reserva Biológica do Gurupi, que passa por dentro da área indígena. Potiguara explica que a terra kaapor foi a primeira reserva indígena criada no Brasil, pelo então presidente Jânio Quadros, em 1961. Infelizmente, essa reserva só existe no papel, porque nunca foi demarcada pelo governo federal.
Em 1993, um conflito entre os kaapor e fazendeiros resultou em cinco mortes. Desde 1991 existe uma liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça Federal do Maranhão em favor dos índios. Essa liminar já foi revalidada cinco vezes, mas não cumprida. A Justiça Federal chegou a estabelecer multa diária de R$ 100 mil por descumprimento da liminar. Ninguém pagou a multa ou deixou as terras.
Ninguém da Funai em Brasília quis falar sobre o problema dos kaapor.


