Índios truká fazem dois reféns
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Agência Estado 
Índios truká tomaram dois reféns anteontem, na reserva, na Ilha de Assunção, em Cabrobó (PE). Estão com eles um funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcos Florentino de Siqueira, e um do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Alexandre Sérgio Didier.
Os índios querem a retomada do levantamento que estava sendo feito para ampliar as terras da reserva. Eles fecharam a ponte que liga a ilha a Cabrobó e ameaçam derrubar uma torre de alta tensão que leva energia ao projeto de reassentamento Pedra Branca, em Curaçá, na Bahia, caso o trabalho não continue.
O levantamento foi suspenso há duas semanas porque a Funai-PE não dispõe dos R$ 10 mil necessários para sua conclusão. O dinheiro é para o pagamento de diárias dos funcionários envolvidos, de despesas com combustível e barqueiros, além de diárias de policiais federais. Eles dão proteção à equipe, pois a área integra o Polígono da Maconha.
A administradora regional substituta da Funai, Estela Parnes, afirmou que a causa dos truká é justa e que a tribo é séria e trabalhadora. Mas disse que o órgão não tem um centavo em caixa e há quatro meses não paga as contas de luz, água e telefone. Das seis linhas telefônicas três foram cortadas.
Estela mandou anteontem um fax ao presidente da Funai, em Brasília, Márcio Lacerda, expondo a situação. Lacerda teria pedido um prazo para dar uma resposta aos índios. O líder dos truká, Aílson dos Santos, disse que espera até amanhã (07). Nós não vamos abrir mão, não é justo que fiquemos mais tempo nessa situação, sendo ameaçados de morte por posseiros e traficantes de drogas.
A reserva abriga cerca de dois mil índios e ocupa 2.150 hectares dos 6.200 hectares da Ilha de Assunção. Os índios reivindicam mais 1.900 hectares, ocupados por 37 posseiros. Aílson dos Santos justifica a nnecessidade de ampliação da área. Nossa terra tem 800 hectares de mata e 40% do que resta é de solo salizinado, explica.Não dá para a sobrevivência.
A situação na Ilha de Assunção é mais grave pela presença de plantadores e traficantes de maconha. Já levei tiro de traficante, vários índios e até um dos reféns está ameaçado de morte, disse o líder truká.


