Índios truká tomaram dois reféns anteontem, na reserva, na Ilha de Assunção, em Cabrobó (PE). Estão com eles um funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcos Florentino de Siqueira, e um do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Alexandre Sérgio Didier.
Os índios querem a retomada do levantamento que estava sendo feito para ampliar as terras da reserva. Eles fecharam a ponte que liga a ilha a Cabrobó e ameaçam derrubar uma torre de alta tensão que leva energia ao projeto de reassentamento Pedra Branca, em Curaçá, na Bahia, caso o trabalho não continue.
O levantamento foi suspenso há duas semanas porque a Funai-PE não dispõe dos R$ 10 mil necessários para sua conclusão. O dinheiro é para o pagamento de diárias dos funcionários envolvidos, de despesas com combustível e barqueiros, além de diárias de policiais federais. Eles dão proteção à equipe, pois a área integra o Polígono da Maconha.
A administradora regional substituta da Funai, Estela Parnes, afirmou que a causa dos truká é justa e que a tribo é ‘‘séria e trabalhadora’’. Mas disse que o órgão não tem um centavo em caixa e há quatro meses não paga as contas de luz, água e telefone. Das seis linhas telefônicas três foram cortadas.
Estela mandou anteontem um fax ao presidente da Funai, em Brasília, Márcio Lacerda, expondo a situação. Lacerda teria pedido um prazo para dar uma resposta aos índios. O líder dos truká, Aílson dos Santos, disse que espera até amanhã (07). ‘‘Nós não vamos abrir mão, não é justo que fiquemos mais tempo nessa situação, sendo ameaçados de morte por posseiros e traficantes de drogas.’’
A reserva abriga cerca de dois mil índios e ocupa 2.150 hectares dos 6.200 hectares da Ilha de Assunção. Os índios reivindicam mais 1.900 hectares, ocupados por 37 posseiros. Aílson dos Santos justifica a nnecessidade de ampliação da área. ‘‘Nossa terra tem 800 hectares de mata e 40% do que resta é de solo salizinado’’, explica.‘‘Não dá para a sobrevivência’’.
A situação na Ilha de Assunção é mais grave pela presença de plantadores e traficantes de maconha. ‘‘Já levei tiro de traficante, vários índios e até um dos reféns está ameaçado de morte’’, disse o líder truká.

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