Índios tomam sede da Funai em Guarapuava
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Agência Folha 
Londrina - Índios caingangues, guaranis e xetás, de nove reservas indígenas do Paraná, invadiram a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Guarapuava (oeste do Paraná) e exigem a presença do presidente do órgão na cidade. O movimento de protesto, que começou no início da semana, culminou ontem, com a expulsão do administrador Francisco Eugênio da unidade regional da Funai em Guarapuava.
A Funai avisou ontem as lideranças indígenas que uma comissão seria deslocada de Brasília para negociar uma solução para o impasse. O presidente do Conselho Indígena Regional de Guarapuava, o caingangue Valdir José Kokoj, disse que a comunidade indígena não deixará a sede da Funai até que o governo federal dê uma solução para a crise de falta de recursos, demarcação das terras indígenas na região e substituição do administrador.
Eles recusaram a proposta da Funai. Não queremos comissão, queremos o presidente da Funai (Eduardo Aguiar Almeida) sujando o pé e vendo a real situação de miséria nas reservas, disse Kokoj.
Em nove reservas indígenas no oeste e no sudoeste do Paraná vivem mais de 12 mil caingangues, guaranis e remanescentes do povo xetá, exterminado no início da década de 70, no noroeste do Paraná.
No norte do Estado, os caingangues da reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, aceitaram ontem esperar até a próxima sexta-feira para uma reunião com representantes do Ministério Público Federal e da Copel para discutir pedido de indenização à empresa de energia elétrica. Eles decidiram libertar o eletricista Benedito Quaresma, que ficou seis horas refém dos índios.
Os índios querem que a Copel indenize os 375 integrantes da reserva por manter uma linha de transmissão de energia elétrica ao longo da reserva, com 14 torres de transmissão. A Copel afirma que os índios já foram indenizados em 1987, mas aceitou negociar depois que os caingangues ameaçaram incendiar as torres.
O administrador regional da Funai em Londrina, José Gonçalves, disse que a concessão de um prazo até a próxima sexta-feira mostra que os índios estão dispostos a uma solução pacífica.
Em Tomazina, uma autorização especial para que os índios explorem um porto de areia no rio das Cinzas acabou com o bloqueio de uma estrada rural no município. O protesto foi organizado pelos caingangues da reserva Pinhalzinho e durava uma semana.


