Curitiba - Índios do Paraná tomaram o prédio da Fundação Nacional do Índios (Funai), em Curitiba, e prometem ficar por lá até atingirem seus objetivos. O movimento reúne pelo menos 40 manifestantes. Além dos indígenas da tribo urbana de Curitiba, há também integrantes das tribos dos municípios de Ortigueira, Rio das Cobras e Mangueirinha.
De acordo com o cacique da tribo urbana de Curitiba, Aldeia Kakaneporã, Leandro dos Santos, a luta dos indígenas é para que o Paraná volte a ter pelo menos uma regional da Funai. ''Antes do decreto publicado em 28 de dezembro de 2009, quando foram extintas todas as regionais no Estado, existiam três, agora temos de depender das que ficam em Chapecó e Florianópolis (SC), o que dificulta bastante o atendimento dos nossos índios'', disse.
Com a extinção das regionais, a Funai criou uma Coordenação Técnica Local (CTL) para atender os índios, dirigida por procuradores da Advocacia Geral da União (AGU). O cacique comenta que acaba de sair uma portaria federal determinando que esses procuradores passem a fazer atendimento aos indígenas apenas no prédio da AGU, em vez de no prédio da Funai. ''Isso fica ainda mais difícil, porque o acesso vai ficar mais restrito, e muitos deles (dos procuradores), não conhecem bem nossos direitos'', acrescentou.
Em agosto do ano passado, um grupo de índios, com o apoio do promotor da Justiça Federal, de Londrina, João Akira Omoto, criou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para garantir a criação de pelo menos uma CTL no Paraná. O documento foi expedido em 6 de agosto de 2010 e estabelecia que até 16 de dezembro do mesmo ano a diretoria da Funai teria de dar uma resposta, caso contrário, teria de pagar uma multa de R$ 5 mil por dia em cestas básicas. As arrecadações seriam revertidas às tribos indígenas.
Segundo o promotor, uma das justificativas apresentadas pela Funai é que se for feito esse ajuste no Paraná, eles terão de fazer em outros Estados, que também estão requerendo suas CTLs de volta. No final da tarde de ontem, Omoto estava terminando de redigir um ofício cobrando mais uma vez um posicionamento da Funai e questionando se eles iriam pagar a multa estipulada no TAC, feito no ano passado. ''Caso a diretoria da Funai diga que não vai pagar a multa, nós vamos tomar providências legais, a fim de receber'', esclareceu.
A Funai informou que somente a presidente Dilma Rousseff (PT) pode aprovar a alteração do teor do decreto assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de 2009. O órgão alega ainda que a manifestação é iniciativa de um ''grupo isolado.''.
Em Londrina não houve manifestação dos índios ontem, mas hoje pela manhã haverá uma reunião com representantes da Funai. De acordo com o presidente do Conselho Indígena do Paraná, Elói Jacinto, todos os índios do Estado estão se mobilizando.(Colaborou Michelle Aligleri)

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