Índios tomam pescadores como reféns
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quarta-feira, 04 de novembro de 1998
Rubens Valente Agência Folha 
Índios do parque do Xingu, em Mato Grosso, tomaram oito pescadores como reféns. Eles teriam invadido o rio Arraias, dentro da área indígena. A administração do parque na Funai (Fundação Nacional do Índio) de Brasília fez ontem um contato por rádio com os índios e confirmou que os pescadores foram detidos no último domingo e até o final da tarde de ontem não haviam sido soltos.
Técnicos da Funai ficaram de conversar novamente com os índios, via rádio, hoje pela manhã, para negociar a liberação dos pescadores. Os reféns foram levados para a aldeia Diauarum, onde fica a sede administrativa do parque.
O consultor do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no setor de fiscalização de áreas indígenas, Villi Fritz Seilert, disse ontem que a ação dos índios no Xingu foi um ato extremo face às constantes invasões dos rios do Xingu. Os índios têm reclamado muito de invasores que matam jacarés e outros animais, disse Seilert.
Segundo Seilert, os índios podem fazer detenções de pessoas que estejam agredindo o meio ambiente ou invadindo a área indígena até a chegada das autoridades policiais.
Os próprios índios do Xingu, onde vivem 16 etnias, estão realizando a fiscalização do parque, que tem cerca de 3,27 milhões de hectares. Os índios participam do Cifa (Comitê Interinstitucional de Fiscalização Ambiental), um subprograma do Prodeagro (Projeto de Desenvolvimento Agroambiental), financiado pelo Banco Mundial.
No caso de domingo, nem a Funai nem Seilert sabiam dizer porque os pescadores invadiram o território indígena. Há a possibilidade de a invasão ter sido um engano, porque se realizava, nos rios próximos ao Xingu, um festival de pesca amadora.


