Campo Grande, 13 (AE) - Um grupo de cinco índios kaiowás-guaranis tentou o suicídio hoje pela manhã na aldeia Panambizinho, a 25 quilômetros do centro de Dourados, na região sul do Mato Grosso do Sul. É a segunda vez, em uma semana, que essas tentativas se repetem. No final da semana passada outros cinco índios da mesma aldeia chegaram a ingerir agrotóxico com pinga; três deles morreram. Segundo o chefe do posto avançado da Fundação Nacional do Índio (Funai) Wilson Lima, várias pessoas conseguiram impedir que hoje acontecesse nova tragédia na aldeia.
Segundo ele, o capitão da aldeia viu quando cinco jovens seguiam em direção a mata levando garrafas nas mãos. O capitão desconfiou e chamou outros índios que interceptaram os rapazes e retiraram deles a mesma composição que resultou na morte dos outros três: agrotóxico com pinga. O chefe da Funai afirmou que a razão desse comportamento é a situação em que os kaiowás se encontram na aldeia Panambizinho: são 60 hectares para 250 índios. Ele acredita que não vai conseguir evitar novos suicídios, que poderão ocorrer a qualquer momento. "A idéia de suicídio na aldeia está sendo espalhada rapidamente e os índios mais revoltados querem protestar contra a situação de miséria em que estão envolvidos há mais de 40 anos, quando o então presidente Getúlio Vargas tomou as terras deles para fazer a reforma agrária", desabafou. área - A aldeia Panambizinho está limitada em 60 hectares porque os 1,2 mil hectares que era dos índios foi entregue para 38 produtores rurais. Para deixar o local, os fazendeiros exigem R$ 5 milhões como indenização pelas benfeitorias; a Funai afirma que não possui esta quantia. O problema todo terá que ser resolvido com a máxima urgência, segundo garantem os coordenadores do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Eles alertam que a questão da recuperação dos 1,2 mil hectares já resultou em mortes por envenenamento e causará com certeza novos suicídios.

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