Os filhos dos integrantes da aldeia Laranjinha, em Santa Amélia, não foram à aula ontem. Segundo o cacique Márcio Lourenço, os pais quiseram evitar transtornos devido à manifestação dos agricultores. ''Dá muito medo de como eles vão ser recebidos depois disso. Querem passar para a população a idéia de que os índios estão invadindo a cidade'', disse.
A FOLHA foi à colônia indígena Yviporã, alvo da disputa. Reginaldo Alves Nimboadju, porta-voz dos guaranis, disse que os agricultores estão deturpando a história para reaver a área. ''Nós que aceitamos a invasão deles primeiro. Saímos daqui em 1956 devido a um surto de malária, mas depois da superlotação da Laranjinha resolvemos voltar para o que é nosso de direito'', disse Reginaldo. Ele cita a portaria do Ministério da Justiça de 19 de abril deste ano que garantiu a legitimidade da área aos índios.
A decisão teve como base um estudo da antropóloga Juracilba Veiga, que usou depoimentos de índios que viviam no local até os anos 50 e a existência de um cemitério indígena para sustentar o direito dos guaranis à área.
O também antropólogo Hilário Rosa rebate o estudo de Veiga. ''Estes índios estão sendo manipulados. Não podem servir de biombo para esconder interesses econômicos. É um equívoco da Funai, orienteada por antropólogos que confundem as coisas e prejudicam que quer produzir'', critica Rosa.
Nimboadju admite as dificuldades dos pequenos proprietários rurais em adquirir as áreas, mas diz que as origens indígenas não podem ser ignoradas. ''Reconhecemos que eles compraram a terra com suor, sacrifício. O problema é que no passado roubaram a nossa terra para vender para eles. Estão querendo, mais uma vez, acabar com a história do nosso povo''.(M.F.)

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