Brasília, 15 (AE) - A Fundação Nacional do Índio (Funai) iniciou hoje a retirada dos índios kampa da aldeia Karijo, na região do Envira, no Acre, que na segunda-feira foram assaltados por um grupo da tribo jaminawá, do Peru. A Polícia Federal investiga se os peruanos que atacaram tiveram algum contato com o grupo terrorista Sendero Luminoso, como suspeita o cacique Sebastião Manchinery.
Os índios peruanos andam fortemente armados. A Funai quer evitar um conflito, explica o administrador do órgão no Estado, Antônio Pereira Neto. Ele disse que se os kampa permanecerem na área haverá luta entre as duas tribos. Segundo a Funai, os índios peruanos invadem as aldeias brasileiras para roubar munição, utensílios domésticos e armas.
Esses indígenas teriam sido contactados na região de Yuruá, cidade peruana próxima da fronteira do Acre, por uma missão religiosa do Peru, disse Antônio Pereira. Amanhã (16) o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles, chefe do Posto Alto Envira, região onde ocorreu o ataque, deve embarcar para o Peru na tentativa de um novo contato com os jaminauwá.
Pankararu - Hoje, em Brasília, o presidente da Funai, Márcio Lacerda, autorizou a realização de levantamentos na aldeia pankararu, em Tacaratu (PE), para fazer o pagamento da indenização dos 360 posseiros que estão na área. A retirada dos posseiros da reserva é exigida por índios pankararu que estão há uma semana em Brasília. A reserva dos pankararus é de 8.337 hectares, mas parte dela está ocupada por posseiros.
Na quarta-feira os índios fizeram um protesto pela morte do índio Tertuliano do Nascimento, de 62 anos, em frente à sede da Funai, na 902 sul. O índio morreu no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), com suspeitas de tuberculose. Além de denunciar a morte de Tertuliano, os índios reivindicavam da Funai um trator, um caminhão e a liberação de R$ 1,1 milhão para pagar a indenização dos posseiros que ocupam parte das terras dos pankararu.

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