Quinze famílias de índios guajajara, do Maranhão, foram expulsas por sem-terra que há um ano invadiram e ocupam a Fazenda Bamerindus, em Eldorado dos Carajás (PA). Os índios moravam há dois meses na parte sul da fazenda, de 59 mil hectares, e estavam construindo sua aldeia na área de reserva florestal da propriedade.
Funcionários da Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não sabiam da presença dos guajajara dentro da fazenda.
A saída foi pacífica, anteontem, segundo o líder dos índios, Antonio Guajajara, mas eles não tinham o que comer nem um lugar para ficar, e avisaram que, se o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não arrumar outro local, retornarão à fazenda.
Segundo o líder guajajara, a fazenda é grande e ‘‘dá para todo mundo’’. Ele acusa o MST de se apropriar da área como se fosse sua. ‘‘Eles ainda não viram índio brigando pra valer e precisam aprender um pouco para nos respeitar’’, disse o líder guajajara.
O ministro da Política Fundiária, Jungmann, que esteve quarta-feira passada no sul do Pará, prometeu acelerar o processo de desapropriação da fazenda, cuja área foi expropriada pelo Banco do Brasil em razão da inadimplência dos antigos proprietários.
Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) descobriram há seis dias focos de incêndio na área florestal da fazenda. Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Marabá, com a ajuda dos sem-terra, conseguiu apagar o fogo. A polícia de Eldorado dos Carajás abriu inquérito para saber quem ateou fogo na floresta, mas até agora ninguém foi ouvido.

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