Índios resistem e não desocupam mata da Aracruz
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sábado, 14 de março de 1998
Agência Estado 
Ao contrário do que anunciou a Fundação Nacional do Índio (Funai), a invasão da floresta de eucaliptos da Aracruz Celulose, no Espírito Santo, por índios tupiniquins e guaranis continuou durante a madrugada e o dia de ontem. Na sexta-feira à noite, após uma reunião com lideranças indígenas, o presidente da Funai, Sulivan Oliveira, havia informado que a ocupação seria suspensa durante o fim de semana. Ontem, as tribos avançaram mais um quilômetro pela mata e a expectativa é a de que hoje atinjam a estrada asfaltada que liga a sede do município à fábrica.
O acordo foi rompido, acusou o gerente florestal da Aracruz, Carlos Alberto Roxo. A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado, Brice Bragato (PT), disse, no entanto, que nenhum acordo havia sido feito. Na reunião, os índios informaram ao presidente da Funai que suspenderiam a autodemarcação para descansar e avaliar o movimento, afirmou. Mas, no local, as comunidades decidiram continuar, porque não houve acordo com a Funai, que nada ofereceu de concreto.
A princípio, nova rodada de negociações entre a Funai e os índios deve acontecer amanhã em Vitória, no Ministério Público Federal.
A reserva indígena em Aracruz tem 4,4 mil hectares, mas os tupiniquins e guaranis querem ampliá-la para 11 mil hectares.
Quando aconteceu a ameaça de ocupação, a Aracruz Celulose conseguiu na 3ª Vara Federal uma interdição proibitória, garantindo a manutenção da área para a empresa. Ainda na década de 70, um estudo feito pelo Museu do Índio recomendava a ampliação da reserva para 13,5 mil hectares.


