Índios reclamam da falta de investimento na saúde
Agência Estado
O cacique Raoni puxou ontem as orelhas do presidente da Funai Márcio Lacerda e da procuradora da República Raquel Elias Ferreira Dodge, em protesto pela falta de investimentos do governo na saúde indígena. Raoni liderou um protesto dos índios kaiapó, terena e pataxó, no auditório da Fundação Nacional do Índio (Funai). As lideranças destas tribos, pintadas com cores de guerra e com bordunas nas mãos, reclamaram que não estão tendo assistência médica adequada e estão receosas com a transferência da área de saúde da Funai para o Ministério da Saúde.
Escuta. Escuta eu e não seja fraco. Defende o índio, disse Raoni em karajá ao presidente da Funai e à procuradora, ao mesmo tempo em que puxava a orelha dos dois. O sobrinho de Raoni, Cacique Megaron, fez a tradução simultânea para o português e a platéia de índios de várias tribos, indigenistas e autoridades da Funai, pôde entender do que se tratava. O protesto teve momentos tensos. O cacique sugeriu que poderia pedir aos índios que pegassem as autoridades presentes, mas que não queria violência.
O cacique terena Mzaque afirmou que os recursos da área de saúde não estão chegando para os índios que vivem no Pantanal e que há uma grande dificuldade para remoção de pacientes. Os caciques acreditam que a transferência do atendimento para o Sistema Único de Saúde é uma forma de levar todos os índios para as extensas filas dos hospitais públicos.
O presidente da Funai disse que os índios estão certos em puxar as orelhas das autoridades do governo, inclusive as dele. Segundo ele, o governo federal cortou 63% do orçamento da Funai para a área indígena. A procuradora Raquel Elias disse que não entendeu o puxão de orelhas que levou do cacique Raoni. Eu apenas estou defendendo o que está escrito na Constituição, disse. O diretor de Operações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Ubiratan Pedrosa, disse que nas próximas semanas o órgão começa a operar o atendimento de saúde na área indígena.





