Curitiba- Lideranças indígenas de todo País estão preocupadas em garantir sua participação e em influenciar as posições a serem defendidas pela delegação oficial brasileira na Conferência das Partes (COP 8) sobre Diversidade Biológica, que será realizada em março de 2006, em Curitiba. Para isso, 52 líderes de 13 estados estão participando de um treinamento e qualificação sobre ecossistemas e biodiversidade, dois assuntos que irão nortear o encontro de Curitiba.
''O governo pode trazer os ecologistas e antropólogos mais famosos. Hoje essas vozes não têm mais legitimidade para nos representar'', diz o articulador dos direitos indígenas na Organização das Nações Unidas (ONU), Marcos Terena, alertando para a necessidade de conscientizar o governo e sociedade sobre a realidade dos índios no País.
O treinamento em Curitiba, de acordo com ele, faz parte de uma estratégia para garantir que o conhecimento dos povos indígenas brasileiros seja levado à conferência de 2006. Em outros países, como Canadá, Estados Unidos e Austrália, conta, os índios têm assento como seus próprios representantes. ''O Brasil não tem esse costume, sempre colocaram a Funai (Fundação Nacional do Índio) como representante. Mas o protagonista é o índio e é ele que tem que falar sobre seu saber'', diz.
Para garantir essa interferência nas discussões, os indígenas partem para várias frentes de ação, que pode resultar na conquista de assento oficial para o setor na delegação oficial ou, no mínimo, influenciar a opinião de diplomatas do Itamaraty, que serão representantes oficiais. Outra estratégia para mostrar a realidade indígena aos participantes da COP 8 será por meio da montagem de um parque temático e estandes, onde serão expostos artesanatos e formas de cultura dos índios.
O curso de qualificação das lideranças indígenas é o primeiro de uma série de treinamentos semelhantes que o Ministério do Meio Ambiente pretende realizar com comunidades que detêm conhecimentos tardicionais, como os caiçaras e quilombolas (descendentes de escravos que vivem em quilombos).
A Convenção da Diversidade Biológica é resultado da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, desenvolvida no Rio de Janeiro em 1992 (ECO 92). Participam da capacitação dos indígenas, lideranças de todo o Brasil, como os Kayapo, Xavante, Gaivão, Guarani, Kaingang, Baniwa, Tukano, além de advogados indígenas, lideranças políticas, professores, sociólogos e estudantes universitários da Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica. Os índios devem se unir na COP 8 com lideranças da África, Ásia, América, Europa, e Oceania para debater questões específicas dos indígenas.

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