Rio de Janeiro - Índios de 29 etnias de todo o País encaminharam ontem sugestões de políticas indigenistas para o próximo governo, como a ampliação do programa de demarcação de terras e a criação de meios para as comunidades se desenvolverem economicamente. Eles criticaram a falta de comunicação com o governo Fernando Henrique Cardoso e disseram que aguardam definição do que será feito na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva para melhorar a vida nas aldeias.
Durante seminário organizado pelo Museu Nacional, que teve início ontem, os índios reivindicaram uma política de Estado que inclua soluções para problemas do dia-a-dia das aldeias, como falta de assistência médica, educação e segurança e também assuntos de fronteira. ''Tudo tem de ser mudado'', afirma Gersem Luciano, da etnia baniwa, coordenador do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI) - uma parceria entre o governo federal e entidades indigenistas criada em 2001.
Luciano elogiou o documento ''Compromisso com os Povos Indígenas'', divulgado pelo então candidato Lula durante a campanha eleitoral, mas cobrou soluções práticas para os problemas. ''No governo Fernando Henrique houve pouco diálogo. As idéias de Lula são boas, mas é preciso pensar no dia-a-dia. Queremos que o compromisso político se torne prática. Isso ainda não se sabe.''
O seminário, que termina amanhã, reuniu representantes de entidades como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Associação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), além de antropólogos e membros do governo de transição.
Os índios apontaram como principal desafio a subsistência nas áreas demarcadas - que somam hoje 100 milhões de hectares. ''É preciso criar condições para que a população consiga sobreviver em sua terra e não tenha que migrar para uma cidade maior'', defendeu Luciano. ''Cada região depende de uma determinada atividade, seja artesanato, agricultura, pecuária ou pescaria. As vocações têm de ser respeitadas'', acredita Wilson Jesus de Souza, da etnia pataxó, que vive na Bahia.

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